Introdução
É
muito comum encontrarmos tanto em meios acadêmicos quanto eclesiásticos a fala
de que a bíblia é difícil de se interpretar. Além disso, a leitura de alguns
livros de hermenêutica reforçam esta tese quando dão demasiada atenção aos
problemas de interpretação. A bíblia é um livro que pode sim, ser compreendido
por todos que se dedicarem a sua leitura e se esforçarem a compreendê-la dentro
de seu contexto. A própria bíblia reforça esta tese (1 Co 2,11; 1 Jo 2,27).
É
bem verdade que o entendimento das escrituras se dá de forma diferenciada a de
um texto comum. Devemos ver o texto de forma semelhante a que entendemos a
carta de um amigo. É importante lidar com o texto como uma carta escrita em um
contexto e tempo da história. Isso pode ser chamado de exegese histórico-gramatical.
A
reflexão apresentada neste texto é muito importante pelo fato de considerar que
a interpretação bíblica só se dá quando o indivíduo estuda hermenêutica
cuidadosamente. A interpretação acontece desde o momento que o indivíduo usa sua
experiência de leitura. Isso acontece na família, na igreja, na escola e na
vida.
A
proposta aqui apresentada é mostrar que a hermenêutica pode favorecer a
assimilação do texto bíblico e a entender que a sua interpretação se dá de
forma instantânea.
A bíblia e o interprete.
Me
parece comum, desde que o cânon bíblico foi fechado, ela receber diversos
ataques e tentativas de tirar seu crédito. Os ataques mais comuns aparecem
quando se refuta a autoridade Divina das escrituras. Alguns dizem que é um
livro escrito por homens, outros afirmam que contem erros e foi corrigida várias
vezes. De fato, a afirmativa que a bíblia é livro escrito por homens é
verdadeira, contudo, isso não desmonta a verdade que esse livro é A Palavra de
Deus.
O
termo bíblia é uma palavra grega no plural e se traduz por livros. Sendo mais,
exato rolos. Esse termo foi utilizado primeiramente por Origenas 250 D.C e
fazia referência aos livros do novo testamento. No ano 800 D.C passou a ser
utilizada também no latim para designar os livros sagrados.
A
bíblia é um livro bem humano, escrito por gente e com linguagem de gente e não
de anjo. A bíblia é a palavra que Deus inspirou, a Palavra dada por Ele. Ela é
a fala de Deus no papel. (2 Pe 1,12; At 1:1; 2 Pe 1:21)
Como
Palavra de Deus em linguagem humana ela é a única regra de fé e prática da
vida. A Bíblia não é um livro antigo para satisfazer a curiosidade humana, ela
é um livro que responde as grandes questões da
vida e da morte. Ela trabalha uma mensagem clara de redenção e prática de vida.
Do Antigo ao Novo testamento essas mensagens foram reveladas de forma
progressiva ao mundo.
É importante falar que para a interpretação
bíblica correta é necessário estudá-la do início ao fim, isso porque a própria
bíblia se interpreta. Vemos constantemente o Antigo Testamento sendo
interpretado pelo Novo. É fundamental também recorrer aos textos apresentados
de forma clara para compreender aqueles que parecem mais obscuros e simbólicos.
A identificação com os idiomas originais podem ser uma ferramenta muito
importante para a compreensão dos
textos, bom como conhecer um pouco do contexto onde os textos se apresentam.
É
um grande privilégio poder interpretar a Bíblia Sagrada e desta forma o intérprete
não pode de forma alguma ser um leitor displicente. O leitor precisa da
iluminação do Espírito Santo para realização desta obra. (Jo 14:26; 1Co 2,9-16;
Mt 11,25-26).
Cânon
A
Palavra Cânon é de origem grega da palavra semítica vara de medir. Quando usada
para falar da Bíblia, ela afirma a inspiração divina dos livros ali contidos. É
importante fazer uma pesquisa aprofundada também para compreender como foi a
formação destes textos, coisa que não faremos aqui, bem como suas formas de crítica
textual. O que podemos afirmar aqui, é que tanto a formação do cânon, como a
sua preservação é compreendida como uma ação do Espírito Santo.
A Bíblia em Tradução
A
fé Bíblica é essencialmente missionária.
Desta forma, não podemos compreender que para alcançar outras nações de
línguas diferentes a Palavra precisa manter-se no seu idioma original. Sem dúvidas
as traduções precisam ser realizadas para que todos os povos a leiam.
Para
muitas pessoas que não entendem deste processo pode parecer que a tradução
bíblica é uma mera substituição de palavras, engana-se quem pensa assim. Nem
sempre o texto traduzido ao pé da letra diz exatamente o que o original quer
transmitir.
Calcula-se
que existam no mundo 6700 línguas vivas, quase metade deste número está na Ásia
e Pacífico. 900 milhões falam mandarim, em segundo lugar vem o espanhol com 400
milhões e logo em seguida o inglês.
As
traduções bíblicas são fundamentais e facilitam o trabalho missionário. Para o
nosso idioma temos o trabalho fantástico de João Ferreira de Almeida. Nos
brasileiros, deveríamos ser gratos a esse homem. A sua tradução vêm ganhando
atualizações e facilitando nosso manuseio das Sagradas Escrituras.
A interpretação Bíblica
A
interpretação das Escrituras vêm de tempos antigos na própria bíblia. Vemos as
interpretações da lei, as interpretações de Paulo, de João e outros. Na história
vemos os pais da igreja, os medievais, reformadores, e modernos interpretando as Escrituras. Vemos o pós
moderno e até métodos populares de interpretação. Esses métodos precisam ser
observados para uma melhor compreensão.
O Método Exegético
O método exegético pode ser algo um tanto
quanto estático, é preciso segui-lo para
que se alcance a compreensão do texto. Para que esse trabalho seja proveitoso é
importante observar as possíveis armadilhas do método antes de iniciar o processo.
É fundamental já na prática da exegese identificar a intenção do autor, a
ênfase do texto, e a realidade fora do texto. Além disso, observar os enfoques,
os níveis sintáticos, semânticos e pragmáticos. Daí então obter um trabalho
eficaz.
É
importante iniciar delimitando o texto no que chamamos de perícope. Não é
possível trabalhar com longos textos. Daí então determinar o gênero, a critica
textual, semântica, sintaxe e traduções.
É
fundamental também considerar os aspectos teológicos, linguísticos e práticos
contidos no texto.
Um
assunto a ser observado ainda nesta reflexão é identificação da mensagem
central do texto. É preciso ter um norte. Não é possível para caminhar sem
compreender para onde o texto está nós conduzindo. Além disso, é fundamental
que encontremos e identifiquemos a dimensão pragmática do texto. Um exemplo é observar como funciona uma
promessa, principalmente quando vem em contraste com uma ameaça.
Por
fim devemos buscar entender o gênero do texto tratado. Por exemplo o que seria
uma parábola? Qual seria sua função? A verdade central e as comparações.
Observemos
a presença de poesia na Bíblia, as suas características e figuras. Observemos
as epístolas, suas características e forma de olhar deste conteúdo. Da mesma
forma, o Antigo Testamento que no decorrer da história tiveram diversos
importantes intérpretes.
Certamente
que em tão pequeno espaço de tempo não poderemos enfatizar todos os métodos e
modelos de interpretações bíblicas, contudo, seria necessário fazer algumas
observações para o tempo presente.
Quando
por meio da interpretação bíblica, olhamos para todos estes anos que se
passaram, vemos que grande foi a dedicação de diversos homens, bem como muitos
se mostraram demasiadamente dispersos. A correta interpretação bíblica é básica
para a fé cristã, pois o assunto a ser tratado fala de eternidade e salvação e a
dedicação de uma vida para a gloria de Deus.
Semelhantemente
ao passado ainda existem diversos intérpretes sem capacidade para fazê-lo e
muitos até maus intencionados. Quando falo de falta de capacidade, me refiro aos
que não nasceram de novo e aos que fazem a interpretação desacompanhados da
pessoa do Espírito Santo. Os métodos desta forma se tornam ferramentas
fundamentais para desfazer sofismas, desmascarar heresias e conduzir o rebanho
de Deus para o caminho reto e salvação eterna. Que essa seja nossa dedicação.
Bibliografia
SCHOLZ, Vilson
- Princípios de interpretações bíblica.

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