sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Apologética

Escrito por Fernando Corrêa Pinto

  • “O cão late quando seu dono é atacado. Eu seria um covarde se visse a verdade divina ser atacada e continuasse em silêncio, sem dizer nada.”
    João Calvino

Um grande Perigo que missionários correm é o de não saber defender a sua fé. Um missionário constantemente está inserido em diversas culturas e diante disto pode haver influência e pressão demasiada da cultura local. Caso esse problema ocorra, algumas confusões podem ocorrer. Um exemplo é quando missionários são pressionados por movimentos políticos a tomar a forma do chamado politicamente correto. Temos vivido atualmente pressões fortíssimas de grupos como LGBT, movimentos socialistas além das pressões naturais do mundo. Neste sentido o estudo da apologética é fundamental.

 Certamente, discutir sobre o assunto apologética neste tempo é uma tarefa no mínimo delicada e para alguns até ofensiva. Este encargo se torna ainda mais custoso quando aquele que lida com o assunto também pode ser considerado como um religioso.

 Farei menção de forma sucinta ao conceito de cosmovisão e apresentarei o conceito de apologética e seus desdobramentos com a finalidade de fazer com que o estudante de teologia entenda sobre o assunto. As relevâncias destes temas são fundamentais pelo fato de alguns trabalhos de teologia buscarem a defesa dos temas apresentados.

 Como já mencionei iniciaremos do ponto de partida do cristianismo, e consideraremos a visão cristã, como de fato é, a revelação de Deus para salvação da humanidade e verdade absoluta acerca de Deus e toda a sua obra. Neste sentido, entendamos um pouco sobre a questão da cosmovisão cristã.

 Todas as pessoas possuem uma visão de mundo, quer elas saibam disso ou não. Poderíamos dizer que ninguém possui uma visão neutra do mundo. Algo que na ótica de um homem do norte do Brasil tenha um sentido, para alguém do Sudeste do mesmo país pode ter um outro sentido bem diferente. Essa diferença se torna muito mais acentuada quando mudamos de país. Alguns estudiosos dizem que a cosmovisão de uma individuo é como uns óculos, contudo eu prefiro dizer que ela é o próprio olho do indivíduo. Nós acordamos com nossa visão de mundo e estamos com ela mesmo quando estamos dormindo.

 Infelizmente essa visão, quando falamos de ambientes não cristãos, é formada na maioria dos casos pela cultura popular de cada região. Percebemos a música, programas de TV e redes sociais ditando comportamentos e norteando a visão de mundo de uma sociedade.

 Contudo, pensando em uma cosmovisão cristã, vejamos o que Paulo afirma:

 “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo”

 Quando o assunto é ter uma visão de mundo com as lentes corretas precisamos substituir a maioria de nossos conceitos aprendidos pelo conselho da palavra de Deus. Aqui reside um divisor de águas. Se você não acredita que a Bíblia Sagrada é a Palavra do único Deus vivo e verdadeiro, não é possível continuar a reflexão. Sugiro que você abandone a leitura. Mas, partindo do pressuposto que você compreende e aceita esta verdade, podemos afirmar que todo comportamento e atitudes que resultarão em agradar a Deus passarão antes pelo filtro das escrituras.

 Neste sentido, cabe uma observação acerca dos ataques que a Bíblia tem sofrido ao longo do tempo. O ataque mais comum que naturalmente escutamos é que ela seria supostamente falível. Outro ataque mais sutil e velado é que as Escrituras não seriam suficientes para nos dirigir e orientar.

 Lutero se deparou com problemas semelhantes no início da reforma. Apelidados por Lutero como “os profetas de Zwickau”, um grupo alegou que havia recebido revelações especiais vindas de Deus. Estas revelações consistiam em que ninguém precisaria mais estudar teologia, visto que Deus havia dado por meio de Seu Espírito aos pobres e ignorantes inspiração para completar a reforma. Acreditavam que o fim dos tempos estava próximo e que os ímpios seriam exterminados. Estes também questionavam constantemente o valor da Bíblia.

 Esta forma de misticismo ainda está presente na igreja hoje. Existem grupos pseudo cristãos que se utilizam da Palavra de Deus apenas quando lhe convém. Estes grupos colocam a experiência pessoal acima das Escrituras e descartam o valor do estudo teológico. Me parece que o eixo hermenêutico está tendendo, na atualidade, para retornar à tradição como era na época em que antecedeu a reforma. Essa triste afirmativa deve nos colocar em alerta, pois não podemos perder de vista o fundamento de nossa fé.

 (2 Ts 2:15). Percebemos que existe um valor fundamental em uma tradição que é recebida por meio da Palavra. A Bíblia é a única autoridade infalível da igreja, não que não existam outras autoridades que devamos respeitar, contudo nenhuma destas podem ser consideradas como infalíveis ou detentoras de uma revelação especial que irá complementar o que a Bíblia ensina.

 A Bíblia não é um livro qualquer, sua origem está no próprio Deus que falou a homens separados para registrá-la. Deus separou intencionalmente indivíduos de carne e osso, sujeitos a todo tipo de problemas que qualquer ser humano enfrenta. Nela podemos ver homens falhos como Davi, que foram infiéis como Sansão e até alguns atrapalhados como Pedro e Abrão. A Palavra não esconde os erros dos seus protagonistas, e este é um motivo a mais para lhe dar crédito. A Bíblia é um livro que traz o homem para a luz. Deus revelou Sua Palavra, dirigiu, inspirou e preservou os Seus registros. Podemos afirmar com toda segurança que ela é inerrante em tudo que ensina.

 Sendo assim permanecemos seguros e confiantes na Palavra de Deus. Por meio dela podemos buscar entender e conhecer mais sobre aquele que nos criou, adorá-lo e imitá-lo.

 1.1 DEFININDO APOLOGÉTICA

 Ainda considerando as afirmações acima, é preciso definir o entendimento de apologética, farei isso de forma resumida, mas antes disso, precisamos considerar as Escrituras que fazem algumas afirmativas.

 Houve entre o povo, falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.

 E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade.

 E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita. (2Pe 2,1-3)

 Considerando que, não só hoje, mas, também nos tempos antigos o problema dos falsos ensinos foi uma realidade, precisamos considerar a Palavra de Deus em primeiro lugar.

 O Apóstolo não fala somente que surgirão os falsos ensinos, mas que, muitos seguirão a estes mestres. Desta forma é imprescindível conhecer estas heresias e buscar possibilidades de refutá-las. Esse trabalho não se trata meramente de uma batalha entre opiniões que se divergem, todavia, perceber tais contradições tem valor evangelístico e eterno.

  A palavra apologética vem do latim apologetĭcus, e do grego ἀπολογητικός, derivada de "apologia", também do grego απολογία: "defesa verbal"). Trazendo para a cosmovisão cristã podemos elaborar o conceito de Apologética Cristã. Desta forma, podemos definir a Apologética Cristã como a disciplina que estuda a teologia com o fim de defender a fé Cristã de seus constantes ataques. Existem várias escolas apologéticas e se faz necessário conhecer algumas delas, coisa que faremos resumidamente na sequência.

 1.2 ALGUNS MÉTODOS APOLOGÉTICOS.

 Existem 5 métodos de estudo de apologética, nesse momento não será possível discorrer sobre cada um deles, todavia farei referência destacando seus pontos mais relevantes para entender as diferenças. São eles os métodos: clássico, evidencial, cumulativo, pressuposicional e a epistemologia reformada.

 O método Clássico, como a própria palavra já sugere, faz referência aos métodos dos apologétas antigos, principalmente medievais e reformadores. Esse método considera a teologia natural como algo básico, considera as evidências históricas e as Escrituras como demonstração de que o cristianismo é a verdadeira religião.

 O método evidencialista é bem parecido com o clássico, contudo, ele considera o valor dos milagres como evidência da existência de Deus, coisa que o anterior não utiliza.

 Método caso cumulativo surge dialogando com os dois anteriores e vai além. Ele não utiliza somente o raciocínio indutivo. Ele tenta explicar também a natureza cósmica e a experiência.

 O método pressuposicional parte do ponto de vista do cristianismo. Deus torna todo argumento possível e anula as reflexões dos incrédulos a respeito do tema considerando que sua cosmovisão é inadequada. 

 Meu objetivo aqui não é aprofundar nestes temas, mas despertar o leitor para o estudo dos temas sugerindo que o pesquisador escolha a escola que será mais relevante para a sua apologética. Contudo, entendo que a visão Clássica é o melhor caminho a ser seguido. Este pensamento esteve presente no período medieval e entre os reformadores.

 Aqui podemos considerar os Escrito de Justino Mártir que foi, após os apóstolos, quem desenvolveu uma apologética para refutar as acusações que os cristãos estavam recebendo no segundo século.

 Minha opinião sobre a cosmovisão cristã e a apologética, é que são necessárias e fundamentais tendo seu lugar de suma importância na teologia. Desde tempos Antigos a fé cristã sempre foi alvo de ataques e hoje não é diferente.

 Há alguns anos atrás, buscávamos nos defender das novas seitas que surgiam e da migração do hinduísmo do oriente para o ocidente. Hoje, porém precisamos nos atentar a todos os ambientes, escolas, universidades, partidos políticos e até pseudo igrejas evangélicas que nos desafiam a apresentar respostas bíblicas e coerentes para refutar as heresias modernas.

 Alguns entendem que a eficaz apologética vem do desprezo total a todas as filosofias, métodos, ideias, teorias e religiões que não sejam cristãs. Concordo em parte com essa afirmação por considerar que diversas teorias e métodos podem estar baseados nas escrituras. Minha consideração final neste ponto é que devemos estar sempre apoiados na Palavra Deus, para que sejamos eficientes em nossa apologética e exerçamos uma prática missionária que glorifique a Deus e seja incontaminável.


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