Por Fernando Corrêa Pinto
De acordo com
James Innell Packer, Richard Baxter foi um líder, escritor e pastor da Igreja
da Inglaterra. Nascido em 12 de novembro de 1615, em Rowton, Solape, foi
educado na Escola Livre de Doninton, em Wroxeter sob orientação particular. Em
1638, foi ordenado diácono pelo Bispo de Worcester. Em 1639, tornou-se diretor da
Escola de Richard Foley e vigário de Bridgenorth onde permaneceu até 1640. De 1641 a 1642, foi vigário
predicante de Kidderminster e, após um período de trabalho como capelão no exército,
retorna e se torna vigário de Kidderminster no ano de 1647, permanecendo até
1661. Casou-se com Margaret Charlton em 1636. Foi preso em Clerkenwell durante
uma semana em 1636 e, em Southwark, por 21 meses no ano de 1685 e 1686. Baxter
morreu em 8 de dezembro de 1691.
Richard Baxter
foi homem de grande cultura, bom argumentador e com capacidade de fazer
ligeiras análises que possibilitava reforçar suas idéias em debates. Como teólogo,
pensou de forma eclética entre as doutrinas da graça reformada, arminiana e
romana. Algumas de suas idéias foram criticadas até mesmo dentro do movimento
puritano no qual foi educado, como veremos à frente.[1]
Considerando sua vida pública e política, Baxter não teve
grande desempenho como afirma James M. Houston. “Como estadista Baxter foi um
fracasso. Recusou o bispado quando lhe foi oferecido. E, embora sendo o
principal porta-voz dos não conformistas durante vinte anos, era demasiado
franco para liderá-los politicamente.” [2] Mesmo
que ele buscasse a paz em meio à divisão, muitas vezes era duro, o que o
impossibilitava de construir acessos. Durante um período, serviu como capelão
do exército de Cromwell, todavia, ele não desfrutou do favor da corte, pois os
poderosos de lá eram demasiadamente católicos, e não suportavam o extremismo
religioso que marcou a década de 1650. Quando Baxter foi convidado para pregar
diante de Cromwell, ele enfaticamente prega um sermão duro que criticava as
políticas religiosas do governo.[3]
No reinado de Carlos II, Baxter foi convidado para assumir
o episcopado em Herefort, contudo
rejeitou-o e preferiu solicitar que retornasse ao seu posto de pastor em Kidderminster.
Seu pedido foi negado e, em 1662, o Ato de Uniformidade o colocou para fora da
Igreja da Inglaterra juntamente com outros ministros. Após esse momento, sua
vida foi marcada pela perseguição até 1686.[4]
Referente ao
ministério pastoral, ele foi bem sucedido como descreve Packer: “Como pastor, Baxter era incomparável – essa é a capacidade
que nos interessa agora. Seus efeitos em Kiddrminster foram notáveis. A
Inglaterra não viu antes nenhum ministério como o de Baxter.” [5]
Em seu trabalho
pastoral, cuidava individualmente de cada um que se dirigia a ele. Seu método
era através do aconselhamento pastoral. Ensinava à comunidade sistematicamente
utilizando o método de perguntas e respostas. O fruto deste trabalho foi o
aumento das famílias que se achegavam à congregação. O templo do culto
suportava um número de mil pessoas e, mesmo assim, foi necessário construir
cinco galerias. Mais tarde, mesmo após a sua ausência, a comunidade continua o
seu crescimento. Em seus sermões, que ocorriam normalmente no domingo e na
quinta feira com duração média de uma hora, Baxter discorria sobre as doutrinas
básicas do cristianismo. Para ele, o ensino era a principal tarefa do pastor.[6] Baxter
também procurava trazer o ensinamento fora do púlpito. Durante a semana,
oferecia fóruns pastorais com discussões, orações e discipulava individualmente
cada membro de sua igreja. Distribuía Bíblias e livros cristãos de sua autoria
de forma gratuita. Ele recomendava que cada cristão se esforçasse em procurar
com regularidade seus pastores para expor suas dificuldades, a fim de que
pudessem avaliar a saúde espiritual de sua congregação.[7]
Em dezembro de 1743, quando George
Whitefield visitou a congregação de Kidderminster, escreve a um amigo que a
obra e a disciplina de Baxter permaneceram até os seus dias.[8]
O que podemos dizer claramente acerca da influência de
Baxter pode ser encontrado na tradição puritana. Ele cresce em um lar puritano
rígido, mas cheio de amor e afeição. Teologicamente ele foi autodidata, estudando
em sua residência. Quando completou dezenove anos, sofreu a perda de sua mãe e
daí em diante buscou a companhia dos ministros puritanos de quem recebe maior
influência. Contudo, Baxter, mesmo sendo um homem do século 17 e escrevendo
para puritanos, menciona cristãos, como Agostinho, Gregório, Cipriano, Bernardo
de Claraval e outros posteriores a estes.[9]
Após a sua saída de Kiddrminster, Baxter passou um período
morando em Acton. Neste tempo, ele conheceu o teólogo e bispo James Usser da Irlanda,
que o motivaria a resgatar a tradição puritana da “teologia prática” que
consistia em explorar o mandamento de amar a Deus totalmente e ao próximo como
a si mesmo.[10]
Mesmo que Baxter possuísse bastante influência da teologia
calvinista, ele não faz campanha pela mesma, mas enfatiza a reforma, no caso,
do ministério como uma prática que consiste em ensinar, catequizar e ser modelo
para o rebanho.[11]
Teólogos, pastores e
pregadores foram influenciados pelos escritos de Baxter e podemos destacar
alguns de grande importância para a história da Igreja Cristã.
O primeiro a ser considerado foi o líder do pietismo alemão
Philip Jakob Spener. Ainda quando era estudante em Estrasburgo, foi
profundamente influenciado pelo livro de Baxter, “The Reformed Pastor”, traduzido para o alemão em 1716.
Vemos também a influência desta obra na vida do pastor,
escritor e teólogo do século 18 Philip Doddridge. Ele considerava de grande
importância esta obra e incentivava todo jovem ministro a ler antes de tomar um
rebanho em sua responsabilidade. Defendia também a ideia de que os ensinamentos
práticos do livro deveriam ser estudados novamente de três a quatro anos pelos
pastores.[12]
John Wesley foi leitor dos escritos de Baxter. Em uma
conferência metodista, ele afirma que todo pregador deveria instruir seu povo
de casa em casa e que não existia melhor método para instruí-los do que o
método de Richard Baxter. Mais tarde, os metodistas Charles Wesley e William
Grinshaw concordam que os pregadores deveriam visitar de casa em casa como o método
de Baxter.[13]
Como já referi em outro momento, George Whitfield, ao
visitar o vilarejo de Kinderminster, fica impressionado com os efeitos do
ministério de Baxter naquele lugar.
Em 19 de agosto de 1810 o ministro metodista nas Américas,
Francis Asbury se alegra com o presente que ganhara, era um exemplar do livro
de Baxter, The Reformed Pastor.
Também temos no século 19 o ministro e pastor Charles
Spurgeon solicitando a sua esposa que, nos domingos após as suas pregações, lesse
em alta voz o livro The Reformed Pastor.
Além da obra The
Reformed Pastor, traduzida para a língua portuguesa como O pastor Aprovado, Baxter produziu dezenas de outras obras. Uma de grande
importância foi Christian Directory a
quem o ministro e professor de Teologia no Regent College em Vancouver, Canadá, J.I Paker, considera uma obra importantíssima para a espiritualidade
cristã.[14]
[1] PACKER Apud BAXTER, 1996, p. 7.
[2]
HOUSTON apud BAXTER, Richard. O pastor aprovado. Trad: Odayr Olivetti.
São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1996. p. 10.
[3]
SWAW, Mark. Lições de Mestre: 10
insights para a edificação da igreja local. Trad: Jarbas Aragão. São Paulo:
Mundo Cristão, 2004, p. 111.
[4] Ibid., p. 112.
[5] PACKER Apud BAXTER. 2008, p, 8
[6] Ibid., p. 9.
[7] Ibid.,
p. 10.
[8]
Ibid., p. 9.
[9]
HOUSTON Apud BAXTER, 1996, p 11.
[10]
SWAW, 2004. P. 113.
[11]
RYKEN, Leland. Santos no Mundo: Os
puritanos como Realmente Eram. São José dos Campos: Editora Fiel, 1992. p 11.
[12]
HOUSTON Apud BAXTER, 1996, p 12.
[13]
PACKER Apud BAXTER, 200, p. 11.
[14]
SWAW, 2004, p. 110.

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