Pesquisa realizada em 2011
Por Fernando Corrêa Pinto
O surgimento do puritanismo
Frequentemente vemos o nome de William Tyndale aparecendo
como o primeiro puritano, como afirma David Martyn Lloyd Jones “O
puritanismo, estou disposto a asseverar com Knappen em sua obra Os Puritanos, realmente começou a
manifestar-se em William Tyndale, e nos idos de 1524.” [1]
Essa afirmativa do autor representa o puritanismo como uma
mentalidade, como uma atitude e um espírito que começou a se mostrar em
Tyndale. Ele tinha um ardente desejo de que o povo comum pudesse ler as
Escrituras Sagradas. Com isso, Tyndale lança uma tradução da Bíblia sem a
autorização dos bispos. Outra ação bastante incomum na época foi retirar-se da
Inglaterra e ir para Alemanha sem a autorização real. Estas eram atitudes freqüentes
entre os puritanos segundo, Lloyd-Jones.[2]
Posteriormente, o nome puritano foi atribuído àqueles que
possuíam características semelhantes às de Tyndale como cita Justo González
sobre os puritanos. “O nome que se lhes deu foi o de “puritanos”, porque
insistiam na necessidade de regressar à pura religião bíblica.” [3]
Outros nomes que também precisam ser destacados e que podem
ter motivado à mentalidade daqueles que se opunham à igreja oficial da época
foram John Hus e John Wycliffe conhecidos na história como pré-reformadores.[4]
Para compreender ainda as origens do puritanismo precisamos
considerar o seu momento político. Em 1521, o rei da Inglaterra, Henrique VIII,
da dinastia dos Tudors, publicou um documento criticando a redução dos
sacramentos de Lutero, recebendo do papa por causa disto o título de “Defensor
da Fé”.
O rei era casado com Catarina de
Aragão, viúva de seu irmão Artur, todavia, desejava casar-se com Ana Bolena.
Por esse motivo ele procura anular seu matrimônio com Catarina alegando que
possuía um grau de parentesco, e desta forma estaria cometendo incesto tendo
como base o texto de Levítico 18.16, como destaca Carlos Jeremias Klein
Henrique VIII, casado com Catarina de Aragão, viúva de seu irmão Artur, tentou
anular esse casamento em 1526, para contrair núpicias com Ana Bolena. Alegou
que o casamento era inválido, com base em Levítico 18:16, pelo grau de
parentesco com Catarina que, sendo sua cunhada, poderia ser considerada sua
irmã, o que configuraria incesto, sendo, nessa teoria, apoiado por um grupo de
teólogos.[5]
Entretanto, existia outro motivo por trás destas
afirmações. O rei desejava ter um filho homem e após muito tempo de matrimônio
com Catarina, este herdeiro não chegou como cita Justo Gonzalez. “Era
necessário que o rei tivesse um herdeiro varão, e depois de muitos anos de
casamento com Catarina ficou claro que tal herdeiro não procederia desta união” [6]
Lloyd-Jones destaca
que a procura do rei para separação e o novo casamento se tratava de busca de
poder. “Henrique VIII, como se sabe muito bem, estava realmente interessado em
uma só coisa, e esta era poder conseguindo o divórcio e o novo casamento.” [7] Isso fez
com que houvesse nele o desejo de se livrar da autoridade de Roma para se
tornar chefe da Igreja da Inglaterra.
Em 1530, o cardeal Thomas Wolsey, que era o primeiro
ministro do reino, é destituído de seu cargo, dando lugar para Thomas Cromwell.
Cromwell busca solucionar o problema do rei, trazendo o exemplo dos príncipes
alemães que aderiram à reforma de Lutero. Com isso, ele sugere que haja um
rompimento entre a Igreja da Inglaterra e Roma. Em 1531, é feita uma assembleia
geral do clero e o parlamento que declaram o rei como o chefe da Igreja na
Inglaterra.[8]
Inicialmente ele
procurou abolir alguns elementos do catolicismo romano, entretanto, por vezes
mudava o seu posicionamento doutrinário segundo cita Lloyd Jones sobre o rei Henrique
VIII.
Doutrinariamente ele morre
católico romano total e completo. Esta mistura de motivos, pensamento confuso e
conselhos divididos significavam que ele estava em constantes dificuldades,
pelo que vivia mudando sua política. Em 1532, por exemplo, ele autorizou dez
artigos nos quais, embora retivesse ainda todas as diversas cerimônias que eram
características da igreja católica romana, modificou um pouco o conceito de
purgatório, culto aos santos, o culto das relíquias sagradas, bem como as imagens,
as peregrinações e coisas deste tipo. Contudo, isto durou pouco porque em 1538
ele mudou de novo toda a sua posição e mais ou menos voltou ao ponto no qual
tinha partido.[9]
Com essas e outras ações, Henrique VIII provoca o aparecimento
da atitude puritana típica. Agora este grupo começava a sentir que nenhuma
atitude considerável havia sido tomada no sentido de estabelecer uma igreja em
moldes diferentes da Igreja Romana. Eles perceberam que não bastava tratar do
ensino católico romano, mas precisariam tomar atitudes mais práticas. Está é a
nota mais característica do puritanismo. Alguns que alimentavam ideias mais
radicais se dirigiram para Suíça, como é o caso de Miles Coverdale e John Hooper.[10] Este grupo sendo influenciado pelas
ideias dos reformadores continentais iniciou também um discurso contra as
práticas litúrgicas da igreja na Inglaterra.
Com a morte de Henrique
VIII, quem o sucede no trono em 1547
é seu único herdeiro masculino, Eduardo VI. A liderança de Eduardo contava com
a ajuda de Thomas Cranmer de Cantuária a quem o rei anterior havia feito
arcebispo. “Tomas Cranmer, a quem Henrique fez arcebispo de Canterbury, foi um
dos principais propulsores da Reforma na Inglaterra.”[11]
Em 1549, Cranmer inicia
uma visível reforma na Igreja da Inglaterra. Ele combate práticas como o culto
às imagens, o celibato obrigatório e cria uma liturgia própria e doutrinas
influenciadas pelas ideias de Calvino. Ele também introduz o Livro de Oração Comum e elabora,
juntamente com John Knox e outros teólogos, os 42 Artigos de Religião. A Igreja
chamada Anglicana passaria a constituir certo diálogo entre as práticas
romanas, luteranas e reformadas.[12]
Ainda no reinado
de Eduardo VI, podemos verificar a Igreja da Inglaterra tomando uma nova
roupagem e aproximando-se mais do protestantismo. Entretanto, neste mesmo
período, surge John Hooper, um homem que aceita se tornar bispo e recusa o uso
de vestes litúrgicas. Ele permanece preso por um tempo, mas continua
argumentando que as vestes não são ordenanças bíblicas, conforme cita Lloyd
Jones.
Seu argumento era como segue: colocava o seu argumento do seguinte
silogismo: premissa maior – todas as coisas que se requerem na Igreja Cristã,
ou são ordenadas na Bíblia, ou são indiferentes. Premissa menor – as vestes não
são ordenadas na Bíblia para uso na Igreja Cristã, nem são coisas indiferentes.
Conclusão – logo, não devem ser exigidas na Igreja Cristã.[13]
Com atitudes como estas, é possível percebermos evidências
da separação entre o pensamento puritano e a Igreja Anglicana.
Com a morte de Eduardo VI em 1553, se inicia o governo de
Maria, filha de Henrique VIII com Catarina de Aragão. Medidas são tomadas com o
objetivo de restaurar o catolicismo. Tais atitudes levaram muitos líderes
protestantes sofrerem duras perseguições. Muitos foram mortos tais como
Latimer, Ridley e Cranmer. Outros fugiram da Inglaterra para Genebra, Zurique e
Frankfurt. Entre estes, estava John Knox e William Whittingham. Em Frankfurt
acontece algo importante para o entendimento do desenvolvimento do puritanismo.
William Whittingham apresenta propostas de reformas litúrgicas na Igreja da
Inglaterra que são aceitas pela maioria da igreja dos exilados em Frankfurt,
onde surge um grande embate. Richard Cox, um anglicano que havia fugido da Igreja
na Inglaterra, se opôs a esta reforma litúrgica. Seu maior embate foi com John
Knox, pastor nomeado para a igreja de Whittingham. Cox defendia que a Igreja
deveria ter o rosto da Igreja da Inglaterra, uma ideia tipicamente anglicana.
Diante disto, John Knox retrucava dizendo que ela deveria ter o rosto da Igreja
de Cristo. Sendo assim, nasce a divisão essencial entre puritanos e anglicanos,
segundo Lloyd-Jones.[14]
Pouco depois,
Knox é forçado a sair de Frankfurt e ir para Genebra onde é acolhido por João
Calvino. Aí permanece aprendendo durante um período, e mais, ele se torna a figura
central da reforma na Escócia, conforme Klein. “A implantação da reforma na
Escócia deve-se a João Knox (ca. 1514-1572), que esteve em Genebra como
refugiado, tendo sido aluno de João Calvino” [15]
Estes eventos aconteceram durante o exílio ocasionado no
reinado de Maria, que foi lembrada por muitos de seus críticos como “a sanguinária”.
Este apelido foi dado a ela por ter decapitado e mandado para o fogo cerca de
trezentas pessoas. Os mais conhecidos desta lista foram os bispos Latimer,
Ridley e Cranmer.
Em 1558 morre Maria
e a sua meia irmã, Elizabeth, filha de Ana Bolena com Henrique VIII, assume o
poder. A nova rainha, ao contrário de sua irmã, não defende o catolicismo.[16]
Entretanto, Elizabeth afirma que ela seria a líder da Inglaterra e que, em suas
mãos, estaria a responsabilidade de tomar atitudes ligadas ao governo
eclesiástico na Inglaterra. “Elizabeth logo começou a afirmar-se e a alegar que
ela era a governadora suprema da igreja da Inglaterra e que a nomeação dos
bispos estava em suas mãos.”[17]
Todavia, a rainha não assumiu uma postura protestante radical. Ela buscava
encontrar um ponto de equilíbrio entre os costumes católicos e protestantes,
mas sempre procurando se enquadrar aos moldes da Igreja Anglicana. Desta forma,
ela também modifica algumas questões doutrinárias e litúrgicas da Igreja, como
a revisão do Livro de Oração Comum e a
redução dos 42 artigos de religião para 39.
[...] Dentro desta igreja, não
teriam lugar nem para o catolicismo romano nem para o protestantismo extremo.
Porém qualquer outra forma de protestantismo seria aceitável, sempre que se
ajustasse ao culto comum da igreja anglicana. Além da Lei da Uniformidade, o
principal instrumento desta política era o Livro de Comum Oração, que Elizabeth
fez revisar e reeditar. Como sinal de sua política de inclusivismo teológico, é
notável o modo pelo qual esta nova edição combina as duas formas que o ministro
devia usar ao repartir o pão nos dois livros publicados sob Eduardo VI.[18]
Neste momento, já
havia um grupo mais organizado de protestantes que buscavam remover todos os
resquícios do catolicismo romano da Igreja da Inglaterra, além de não
concordarem com a forma de interpretação das Escrituras formuladas pelos anglicanos.[19]
Mesmo diante dos
apelos, Elizabeth continua com sua postura, entendendo que tais posicionamentos
livrariam seu país de uma guerra civil por motivos religiosos. [20] Daqui
em diante, é possível perceber, em meio ao contexto político e religioso Inglês
a organização e o crescimento dos puritanos.
Os puritanos da época da
perseguição sob o reinado de Maria se refugiaram no continente sofrendo influência
a da reforma. Seu principal objetivo era purificar a igreja da Inglaterra de
qualquer vestígio que acreditassem tratar da corrupção católica romana. Por
esse motivo, em 1568, receberam o apelido de puritanos. Em 1569, surge Thomas
Cartwright que era um dos principais líderes do movimento puritano
presbiteriano. Já Henry Jacob apresenta uma tendência congregacional ou
independente, conforme Cairns: “Um grupo de puritanos, que não seguia o modelo
presbiteriano de Cartwright, adotou as idéia de Henry Jacob (1563-1624), que
pode ser considerados como o fundador dos independentes ou congregacionais puritanos.” [21]
Mais tarde, por conta de perseguições,
Cartwright passa a viver como peregrino e em grande parte deste tempo, no
continente. Alguns puritanos se organizaram em presbitério e outros rejeitaram
utilizar o manual litúrgico anglicano. [22]
Em 1593 a
rainha se volta contra o movimento passando a perseguí-los: “Elizabeth
promulgou, em 1593, um ato contra os puritanos. Este ato permitia às
autoridades prenderem os puritanos por faltarem à igreja Anglicana.” [23]
Sobre esta perseguição também lemos em Latourette:
Sob pressão de Elizabeth e
Whitgift, o parlamanto passou (1593) atos dirigidos aos puritanos sob aparência
externa de “sectários sediciosos e pessoas desleais”; e ordenado que todos que
não se conformavam às leis por “vir à igreja para ouvir o serviço divino”,
deixassem o reino. [24]
Mesmo diante da perseguição, vemos que tanto os puritanos
da Igreja Anglicana, como Cartwright e Henry Jacob não possuíam a intenção de
separar a Igreja do Estado. Entretanto, havia também um grupo de puritanos
separatistas que entendiam que a Igreja deveria ser separada do Estado.[25]
Uma figura importante que precisamos destacar neste grupo
de separatistas foi Robert Browne. Conforme Latourette, “Um proeminente
pioneiro foi Robert Browne (morto em 1633), graduado de Cambridge e
originalmente um puritano.” [26]
A rainha Elizabeth morre em 1603 e, assim, encerra a
dinastia dos Tudors na Inglaterra, dando lugar agora para os Stuarts
governarem. O rei Tiago inicia o seu governo vindo da Escócia. O novo rei é
filho de Mary Stuart, rainha da Escócia e assume o reinado por falta de herdeiros
deixados pela casa de Henrique VIII.
Com a morte de Elizabeth (1603),
os temores de Herique VIII se concretizam, e nenhum de seus descendentes foi
deixado para reivindicar o trono. A coroa passou para Tiago, filho de Mary
Stuart “Rainha dos Escoceses”, e bisneto de Margareth, filha de Henrique VII. [27]
Tiago I, mesmo tendo sido criado no presbiterianismo,
quando chega à Inglaterra assume uma posição episcopal. Contudo, os puritanos
esperavam que o rei adotasse um modelo presbiteriano de governo. Com isso, em
1603, apresentaram ao rei um documento que ficou conhecido como “Petição Milenar”. Este documento
solicitava ao rei que a Igreja se tornasse puritana em sua forma de liturgia e
administração. Isto não agradou o rei que se enfureceu e ameaçou colocá-los
para fora do reino.
Quando seu sucessor, James VI da
Escócia, tornou-se James I da Inglaterra, em 1603, os puritanos esperavam que
este rei, calvinista favorável ao sistema episcopal, estabelecesse um sistema
presbiteriano de governo da Igreja Anglicana. Para enfatizar sua esperança eles
lhe apresentaram, quando a sua chegada em 1603, a Petição Milenar,
assinada por cerca de mil ministros puritanos, em que pediam que igreja
anglicana fosse completamente “puritana” na liturgia e na administração. O rei,
atarracado, obeso, orgulhoso e tagarela convocou a Hampton Court Conference
(Conferência da Corte de Hampton em 1604. Quando os puritanos pediram novamente
para ele reformar, James se enfureceu e prometeu que “os afugentaria do reino”,
se não se conformassem; sobre o sistema presbiteriano de administração
eclesiástica, na igreja oficial, disse
que o presbiterianismo “se harmonizava tanto com a monarquia como Deus com o
diabo”. [28]
Da conferência de Humpton, vista na citação acima, surge a
proposta de criarem uma nova tradução para a Bíblia utilizada na época. Esta
tradução ficou conhecida com a tradução do Rei Tiago ou King James Version. Esta nova versão veio substituir as duas
traduções do reinado anterior. Uma ficou conhecida como a Bíblia dos Bispos que,
de forma geral, utilizava a tradução de Tyndale. A segunda foi a Bíblia de
Genebra que possuía o Novo Testamento de Tyndale, mas o Antigo Testamento
continha uma nova tradução. Esta em suas notas possuía influência calvinista e
puritana e também era lida nos cultos e tinha grande aceitação nos lares. O
trabalho de tradução da Bíblia do rei Tiago teve início em 1607 e foi publicado
em 1611.
Durante o reinado de Tiago, os puritanos seguiam crescendo
e ativos. Em algumas paróquias, estabeleceram pregadores que procuravam
fortalecer suas convicções. Constantemente utilizavam versões dos salmos em
versos e música e incentivavam a observância do domingo. Enfatizavam a leitura
bíblica, o culto nos lares e se esforçavam por viver de forma incorrupta.[29] Eles
cresciam também no Parlamento. Muitas vezes, se chocavam com o rei pelo fato
dele incentivar o esporte, a dança, jogos de aposta e exercícios atléticos nos domingos.[30]
Em se tratando dos puritanos separatistas e independentes,
existe um crescimento menor. Alguns, após perseguição, se refugiam na Holanda,
porém muitos permanecem na Inglaterra. Havia entre eles variedades de pensamentos
como é o caso dos Congregacionalistas e Batistas que sustentavam ideais
arminianos, como o caso de John Smyth e, mais tarde, os que sustentavam o
pensamento da expiação limitada.[31]
Em outro momento, o rei expressa uma intenção que desagrada
o Parlamento que foi a tentativa do rei em casar seu filho Carlos com uma espanhola
da casa de Áustria. Tal projeto não se concretizou e em 1625 com sua morte, seu
filho o sucede no trono.[32]
Em 1625, Carlos I assume o governo da Inglaterra. Ele,
assim como o seu pai, era partidário da monarquia absolutista e entendia que o
governo da igreja era um direito divino atribuído ao rei assim como o
episcopado. No início do seu governo, Carlos busca o apoio do Parlamento, mas
não consegue. Com isso, o rei governa sem a ajuda deles de 1629 a 1640. Neste período
muitos, puritanos, que esperavam por condições melhores na Inglaterra, partem
para as Colônias Inglesas na América do Norte. As condições pioram para o grupo
de puritanos quando o rei nomeia como Arcebispo de Canterbury, William Laud.
Ele era de tendência arminiana.[33]
Em 1637, surge a
tentativa de impor um novo Livro de
Oração Comum na Igreja da Escócia e mudar sua forma de administração da
eclesiástica. Este evento ocasionou uma revolta por parte dos escoceses. Em 1638,
eles invadem a Inglaterra com o fim de defenderem o presbiterianismo. Neste
momento, o rei sente a necessidade de buscar apoio do Parlamento para buscar
recursos financeiros com o fim de organizar o seu exército. [34]
Este Parlamento ficou conhecido como o Parlamento Extenso,
o qual possuía membros que estavam descontentes com o reinado como explica
Justo González.
Os últimos anos antes da
convocação desta assembleia tinham trazido consigo dificuldades econômicas. Os
desajustes sociais e econômicos, que antes havia prejudicado unicamente os
pobres e os trabalhadores, começaram a afetar também os comerciantes e
industriais. Logo, quando ocorreram as eleições para o Parlamento, a maioria
representava o descontentamento com a coroa, tento por razões econômicas como
por motivos religiosos.[35]
Este Parlamento tomou algumas atitudes que contrariaram o
rei e deixou de cumprir outras impostas por ele. Cada vez que Carlos procurava
o Parlamento, as tensões aumentavam. Em 1636, uma reunião conhecida como a Assembléia
de Westminster foi convocada por parte dos parlamentares. Esta assembleia foi estabelecida
para aconselhar o Parlamento a respeito de assuntos ligados à Igreja. Esta
assembléia era composta de clérigos e leigos, a maioria deles puritanos e a outra
parte, formadas por episcopais e independentes, e ainda comissários escoceses
sem direito a voto. [36] Outras
medidas foram tomadas para que no Parlamento fossem excluídos elementos que apresentassem oposição ao puritanismo. Finalmente,
o Parlamento recrutou uma milícia.[37] Considerando
que estas forças estavam nas mãos do Parlamento, e não do rei, ele reuniu a
tropa para lutar contra a milícia parlamentar. Daí inicia-se uma guerra civil.[38]
A guerra finaliza com a vitória do exército do Parlamento,
e este sob o comando do general Oliver Cromwell que, após a execução do rei
Carlos I, em 17 de fevereiro de 1649 assume o governo.[39] Neste
momento, um puritano e, podemos dizer, do protestantismo radical, assume o
governo.
Como governador, Cromwell inicia um processo de reforma
tanto no ambiente político como religioso, como destaca Justo González a
respeito destas reformas.
[...] Sua política religiosa foi
relativamente tolerante devido ao ambiente da época. Ainda que ele mesmo
tivesse idéias independentes, tratou de criar um sistema eclesiástico em que
couberam tantos os independentes como os presbiterianos, os batistas e até
alguns partidários moderados do regime episcopal. Como bom puritano,
empenhou-se em um programa de reformar os costumes e logo ter leis acerca do
Dia do senhor, das corridas de cavalos, das brigas de galos, do teatro, etc. [40]
No campo econômico, ele favoreceu as classes médias em
detrimento dos mais ricos e também, em certa medida, os empobrecidos. Já no
campo da política, ele exerce uma função de protetor, ou seja, governa com a
ajuda do parlamento, mas rejeita a coroa.[41] Seu
objetivo era de estabelecer uma república.
Em 1658, pouco antes de sua morte, Cromwell indica seu
filho para sucedê-lo, todavia Ricardo Cromwell, após iniciar o protetorado, abandona
o governo depois de ser traído pelo Parlamento, dando fim ao governo puritano.
O fracasso do protetorado conduz novamente à busca pelo restabelecimento da
monarquia trazendo de volta os Stuarts, com o reinado de Carlos II e uma nova
perseguição aos puritanos.[42]
Durante todo este
processo de efervescência política e religiosa na Inglaterra, surgem alguns
protagonistas puritanos que não podemos deixar de citar. O primeiro é John
Bunyan, autor de O Peregrino, considerado como uma das obras literárias de
devoção mais lida no mundo, que contribuiu para levar o puritanismo para
lugares distantes. O segundo é John Milton e seu livro O Paraíso Perdido.
1.M.Lloyd,
JONES. Os puritanos, suas origens e
seus sucessores. Trad Odayr Olivetti. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas,
1993. p. 249.
[2] JONES, 1993, p. 250.
[3]
GONZÁLEZ, Justo. Uma História Ilustrada
do Cristianismo: A era dos dogmas e das dúvidas. São Paulo: Vida Nova, 1982.
p. 51. volume 8.
[4]
CAIRNS, Earle E. Cristianismo através dos
séculos: uma história da igreja cristã. Trad: Isabel Belo de Azevedo. 2ª
Edição. São Paulo: Vida Nova, 1995. p. 221.
6 KLEIN, Carlos
Jeremias. Curso de história da Igreja.
São Paulo: Fonte Editorial, 2007. p. 223.
[6]GONZÁLEZ,
Justo. Uma História Ilustrada do
Cristianismo: A era dos reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1983. p. 124. volume 6.
[7] JONES, 1993. p. 250.
[8] KLEIN, 2007. p. 224.
[9] JONES, 1993, p. 250.
[10] Ibid., p. 251.
[11] GONZÁLEZ, 1983. p. 129.
[12] KLEIN, 2007. p. 226.
[13] JONES, 1993, p. 252.
[14] Ibid., p. 255.
[15] KLEIN, 2007, p. 228.
[16] GONZÁLEZ, 1983, p. 133.
[17] D.M.Lloyd, JONES, 1993, p.
256.
[18] GONZÁLEZ, 1983, p. 135.
[19] D.M.Lloyd, JONES, 1993, p.
253.
[20] LATOURETTE, Kenneth Scott; KLEIN,
Carlos Jeremias. Uma História do
cristianismo. São Paulo: Hagnos, 2006. p. 1100. volume 2.
[21]
CAIRNS, 1995, p. 273.
[22]
LATOURETTE, 2006, p. 1103.
[23]
CAIRNS, 1995, p. 274.
[24]
LATOURETTE, 2006, p. 1103.
[25]
CAIRNS, 1995, p. 275.
[26]
LATOURETTE, 2006, p. 1104.
[27] Idem
[28] CAIRNS , 1995, p. 276.
[29] LATOURETTE, 2006, p. 1106.
[30] Ibid., p. 1107.
[31] Idem
[32] GONZÁLEZ, 1982. p. 57.
[33]
CAIRNS, 1995, p. 277.
[34]
Idem
[35]
GONZÁLEZ, 1982, p. 62.
[36] LATOURETTE, 2006, p. 1111.
[37] GONZÁLEZ, 1982, p. 64.
[38]
Ibid., p. 65
[39]
HILL, Christopher. O eleito de Deus: Oliver
Cromwell e a revolução inglesa. Trad:
Carlos Eugenio Marcosndes Moura. São
Paulo: Companhia das letras, 1988, p 97.
[40]
GONZÁLEZ, 1982, p. 76.
[41]
Idem
[42] Ibid.,
p. 77.

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