A vocação missionária e o chamado para
pastorear são serviços especiais dados por Deus para a expansão do Seu Reino e
para a salvação do mundo. Para que haja salvação é necessário que pessoas sejam
enviadas (Romanos 10.14-15). É
uma grande responsabilidade pregar o evangelho a outros povos e culturas. É um
desafio grandioso a tarefa de plantar igrejas e pastorea-las. Portando, para
que essa tarefa seja realizada o missionário ou pastor deve ter clareza de seu
chamado e motivação para realizá-lo.
[...] alguém que seja
irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são
acusados de dissolução, nem são insubordinados. Porque é indispensável que o
bispo seja irrepreensível como despenseiro de Deus, não arrogante, não
irascível, não dado ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de torpe ganância;
antes, hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, que tenha domínio de
si, apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder
tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem.
Ele destaca que a presença da palavra: “Irrepreensível”
não se refere a uma perfeição impecável, pois, neste caso, nenhum ser humano
estaria qualificado para o ofício, mas a um padrão elevado e maduro que implica
em um exemplo coerente.
Neste sentido, é necessário destacar também a importância
do amor a Cristo e às pessoas como pré-requisito fundamental para o exercício
do ministério. Tal caminho deve ser o motivador e sustentador
do chamado pastoral. Todavia, nesta parte, apesar dos destaques acima, o objetivo não é
estabelecer padrões, e sim discutir a motivação que levam pessoas ao ministério
hoje.
John Piper, em seu livro Irmãos, não somos profissionais, mostra que uma parcela
considerável dos pastores tem sido pressionada com a idéia de que o ministério pastoral é um emprego
como qualquer outro. Como vemos na citação abaixo:
Nós,
pastores, estamos sendo massacrados pela profissionalização do ministério
pastoral. A mentalidade do profissional não é a mentalidade do profeta. Não é a
mentalidade do escravo de Cristo. O profissionalismo não tem nada que ver com a
essência e o cerne do ministério cristão. Quanto mais profissionais desejamos
ser, mais morte espiritual deixaremos em nosso rastro.
A vocação é
o caminho que rege as escolhas. Podemos dizer que nossa sociedade visa, acima
de tudo, o lucro. As pessoas são valorizadas pelo que possuem, e não pela
dignidade de seu caráter. Desta forma, o dinheiro norteia as escolhas
profissionais. Quando alguém consegue unir o senso do dever cumprido com o
sustento financeiro alcança certa satisfação. Outros são seduzidos pelo status
do ministério e da liderança, contudo jamais possuíram o chamado.
Tratando de
motivação para o chamado pastoral, o autor Kléos Magalhães Lenz César fala
sobre os alicerces inseguros da hereditariedade, a emoção, a manifestação
sobrenatural e a desinformação doutrinaria. Para ele, tais motivações são
demasiadamente instáveis.
De Pastor a
Pastor de Hernandes Dias Lopes e um livro que sempre recomendo para pastores
que estão no campo missionário ou no exercício do pastorado. Esta obra discute
alguns problemas que podem abalar profundamente aquele que está no ministério e
não possui a vocação. Ele menciona problemas como insegurança no ministério,
medo de fracasso e indisposição para correr riscos.Também
se refere aos que governam o povo com um rigor demasiado, que dominam, usam de
autoritarismo e quando são questionados sobre o seu modelo de pastoreio são
agressivos. Outros são vitimas e sofrem com este tipo de atitude de seus
líderes. Lopes
também lembra que alguns estão iludidos com o ministério, entendendo que o
exercício da vocação pastoral é uma diversão e não conseguem reagir quando a
realidade de lutas, oposições e pressões chegam. Ele
menciona problemas crescentes no meio pastoral, tais como, crises conjugais
constantes, pastores que vivem em uma contínua correria e deixam de atender os
de casa. Jaime Kemp afirma que atualmente existe uma grande porcentagem de pastores em
todo mundo que têm sérios problemas familiares.
Lopes ainda
defende que um problema recorrente também no meio pastoral moderno é o
descontrole financeiro e irresponsabilidade administrativa. Hoje, existem
muitos líderes cristãos com pendências financeiras em diversos estabelecimentos
e vivendo de aparência, ostentando um padrão de vida acima de suas condições
financeiras. Nos casos citados acima é necessário reavaliar o chamado e tratar destas pendências que
podem comprometer a eficácia da missão e manchar a imagem do evangelho.
Olhando pela ótica missionária, algo
que deve sempre ser feito, percebemos o chamado missionário de Deus é visto em
todo o contexto bíblico. Podemos citar a vida de Abraão (Genesis 12. 1 - 3), no
caso dele o Senhor o chama e diz que todas as famílias da terra serão
abençoadas por seu intermédio.
O Apostolo Paulo reconhece que as boas novas da salvação haviam sido anunciadas
a Paulo previamente “Ora, a Escritura,
prevendo que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou previamente
a boa nova a Abraão, dizendo: Em ti serão abençoadas todas as nações (Galatas
.8)”
Jesus mais tarde também afirma “Abraão alegou-se por ver o meu dia, viu e
regozijou-se” (João 8. 56).
Pegando como exemplo a história de
Abraão podemos lembrar de muitas lições para a nossa missão hoje. Primeiramente é necessário
falar que a missão de Deus tem duas dimensões. A primeira está ligada aos dons
que o Senhor concede a cada um para um serviço vemos isso em (1 Coríntios
12 e Romanos 12), mas, também existe aquela vocação para o envio exclusivo
segundos os ministérios mencionados em (Efésios 4.11). Desta forma é necessário nos lembrar que para o
envio missionário depende desse chamado que é divino.
Mas como discernir esse chamado. É
preciso estar atento a
algumas evidencias que o Espírito Santo da ao missionário. A primeira que
entendo que é de grande importância é a convicção dada pelo Espírito Santo a
nós. Nós devemos desejar a excelente obra. (1 Timóteo 3.1). Algo de grande importância é a testificarão da igreja local. A igreja
representada pelos membros e liderança deve abençoar o enviado. Recordo-me que
em 2008 na época em que ainda estudava no seminário, estava com tudo pronto
para uma viagem missionária de curta duração para o Chile. Iria com um grupo de
pastores que já possuíam uma igreja plantada naquele lugar e periodicamente iam
dar suporte, estava bem animado e acreditava que Deus estava me guiando fazer
isso, já possuía o valor da viagem, a documentação estava pronta só precisava
que o pastor responsável por me acompanhar me autorizasse faltar um domingo na
igreja onde trabalhava. Para minha surpresa a resposta dele foi não, sem me
explicar porque disse que não queria que fosse, muitos na época me disseram
para eu faltar e pronto, mas entendia que mesmo diante de um não sem
justificativa precisava obedecê-lo, naquele ano não fui ao Chile e segui em paz
crendo no governo total de Deus nesta situação, pois precisava que minha igreja
e pastor estivessem em paz nesta decisão.
É necessário também que os meios, a
providencia divina e o lugar onde a missão vai ser desenvolvida estejam presentes
na vida do missionário, que seja alvo de oração seu e de sua família. As
qualificações para o exercício
do chamado também são fundamentais, o caráter, humildade, piedade e
misericórdia são imprescindíveis para a vida daquele que se sente vocacionado.
É preciso possuir paixão pelos perdidos, estar sensível a voz de Deus e estar
disposto a servir e sofrer em muitos casos. No caso de missionários possuírem família a preparação para o envio deve ser
feita com todos.
Todo esse processo de compreensão do chamado e
preparação para o seu exercício devem ser regados de oração para que Deus nos
de a Sua confirmação da vocação. Nunca a vocação e o envio devem ser motivados
por prazeres mundanos, aventura, fuga de sua realidade ou por o individuo não
achou nada melhor para fazer na vida. Essas motivações podem causar grandes
frustrações futuras. O melhor é ir na segurança da direção do Senhor.
BÍBLIA.
Português. Bíblia sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida.
2. ed. revista e atualizada no Brasil. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil,
1993.
MACARTHUR,
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CPAD, 1998. P. 110.
PIPER,
John. Irmãos, não somos profissionais:
Um apelo aos pastores para ter um ministério radical. Trad: Lilian Palhares.
São Paulo: Shedd Publicações, 2009. p. 19.
LOPES,
Hernandes Dias. De pastor a pastor:
princípios para ser um pastor segundo o coração de Deus. São Paulo: Hagnos,
2008. p. 15.
KEMP,
Jaime. Pastores em perigo: Ajuda para o pastor, esperança para
igreja. São Paulo: Hagnos, 2006. p.18.
TOSTES,
M. Silas, (org). 2009. p. 94.
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