Escrito por Fernando Corrêa Pinto
A missiologia é a ciência que tem o objetivo de estudar a grande comissão dada por Jesus a sua igreja. Essa missão é primeiramente dada a seus discípulos em um âmbito nacional e transcultural. ( Mt 28,19 / Mc 16,15 / At 1,8 ).
Essa disciplina é de grande importância, pois trata de uma tarefa primordial da igreja. Evangelizar os povos. A missão está no coração de Deus e Ele deseja alcançar todas as nações, raças e tribos de todas as línguas. Contudo é necessário saber nestes últimos dias se missões também está no coração do seu povo.
Deus foi o primeiro missionário quando desceu no Jardim do
Édem (Gn 1,26-28). Ele cria um relacionamento de amizade com Adão e Eva,
contudo após a desobediência deles foi necessário comunicar o evangelho aos
povos atingidos por essa maldição (Gn 3,15). Após isso, Jesus cumpre o papel de
enviado quando vem a terra cumprir a missão que Deus o deu (Jo 3,15). E o
Espírito Santo é o agente desta missão (At 1,8). Desta forma a trindade está
completamente comprometida com o Seu plano.
Missão na Bíblia.
A Bíblia é um livro missionário sem ela não haveria
possibilidade de entender a missão e de praticar os seus métodos. (Mc 16,15). A
Bíblia é o manual do missionário.
No antigo testamento vemos Deus chamando Abraão e lhe dando
uma promessa que muitas famílias da terra seriam abençoadas (Gn 12,3). No Novo
testamento, vemos Jesus citando a vida de Abraão e relacionando com a salvação
(Mt 8,11-12).
O chamado missionário de Israel inicia através do desafio
dado por Deus a Abraão. A promessa de uma terra, de uma benção e de uma família
grande. (Gn12, 1-4). Essa promessa vem por meio de Isaque que gera Jacó e a
partir dele as 12 tribos são formadas (Gn 32,12).
Muitos imaginam que o chamado missionário não se aplica ao
povo de Israel, entretanto podemos ver que Deus separa um povo para trazer o
conhecimento do nome de Seu nome a um povo pagão (Gn 12,1-3). Isso se torna
claro na história de Jonas, Isaias, Jeremias e outros profetas.
Quando Deus gera Adão Ele ordena que seja fecundo e se
multiplique. Adão desobedece e recebe punição por este ato (Gn 1,28). Mas no
capitulo 12 Deus da a promessa novamente de abençoar o mundo por intermédio de Abraão.
É preciso olhar para o Antigo testamento com muito zelo e
cuidado, considerando-o um livro de profunda importância para o cristianismo e
a missão.
O Novo Testamento é do início ao fim um livro missionário.
Na grande comissão existem dois aspectos consideráveis a ser falado. O primeiro
deles é que existe claramente uma ordem de Jesus para que possamos ir e pregar
o evangelho (Mc 16,15). A promessa
consiste e saber que o Senhor Jesus está conosco todos os dias até a consumação
dos séculos (Mt 28,20).
Em Atos dos apóstolos existe a concretização desta ordem e
da promessa que está diante dos leitores desse livro. Vemos Pedro pregando
tanto no meio de Judeus e também para os de fora. Em algumas vezes observamos a
obra sobrenatural do Espírito Santo participando desta da proclamação (At 10,
9-16). O capítulo 15 deste livro aparece o primeiro concílio. Este tinha o
objetivo de organizar a igreja e enviar os missionários para os povos vizinhos.
Em Atos 1,8 está mais uma vez a ordem de Jesus para a
proclamação do evangelho. No capítulo 2 a capacitação de Deus para tal obra.
Nos capítulos 3 e 4 vemos a igreja passar de 3000 para 5000 salvos. O que se
segue do capitulo 5 até o ultimo capítulo de Atos trata-se da ação de Deus na
vida de seus servos em prol de alcançar os povos.
Apesar de a maioria dos apóstolos estarem empenhados na
missão de Deus evidenciamos que apóstolo Paulo possui um destaque entre eles
neste assunto. Em seu histórico temos 4 viagens missionárias que proporcionou
que o evangelho viajasse para as nações vizinhas até chegar a Roma. Ele nestas
viagens plantava as igrejas, estabelecia a liderança e as pastoreava
pessoalmente e através de carta. Paulo Também teve a oportunidade de pregar
para as autoridades das nações até terminar preso em Roma por causa do
evangelho.
Missões Transculturais
A missão
transcultural trata-se de um movimento cristão de alcance mundial. O lema
principal da missão transcultural indica que “A missão primaria das igrejas é
proclamar o evangelho de Cristo e implantar novas congregações no mundo
inteiro.”
Mas o que é cultura? Para responder essa pergunta temos em
primeiro lugar entender o que é a cultura local. Todas as nações têm a sua
cultura e é impossível viver acima de sua cultura. Desta forma torna-se
desafiador o estudo da cultura.
Cada povo possui valores, crenças e educação particulares e
se diferenciam entre si, em alguns aspectos. As culturas têm suas ideias e
maneiras de se relacionar com o mundo e os tais são aprendidos normalmente
desde a infância. A primeira coisa que um missionário percebe quando chega ao
campo é isto. Ao trazerem o ensinamento cristão a um povo o missionário afeta
diretamente a cultura. Muitas delas precisam de transformação. Nas culturas em
sua grande maioria existem práticas idolátricas, por exemplo, e quando o
evangelho de Cristo chega ele produz uma transformação interior e exterior. Ele
dá um novo sentido a vida, uma nova direção para as condutas humanas. É
necessário que o missionário aprenda a lidar com a cultura, não somente na
forma de comer se vestir ou idiomas, mas aprendendo a conviver com seus valores
fundamentais de forma que seja eficaz na apresentação do salvador.
O apóstolo Paulo realiza essa obra com grande destreza.
“Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para
todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.” Ele se fazia romano
para ganhar os romanos, grego para ganhar os gregos e assim o evangelho ia
penetrando nas culturas.
Como a Bíblia olha para as outras culturas? O cristianismo
não tem objetivo de padronizar o mundo e nem de destruir a sua cultura. Em (Ap
5,9) vemos o triunfo de Cristo e todas as etnias juntamente com Ele. “E
cantavam um cântico novo, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os
seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de
toda tribo, e língua, e povo e nação;”
O cristianismo é transcultural, não há necessidade de
destruir nenhuma cultura. É preciso haver respeito pelas mesmas. A questão que
deve entrar nesta discussão é se a cultura é ou não pecaminosa e se impede que
o individuo seja salvo. Esta sim deve ser transformada. Em (At 15, 19-20) vemos
Barnabé sendo tolerante com a cultura judaica que estava ligada com a
identidade nacional e não haveria implicações na salvação do povo. “Por isso,
julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a
Deus, mas escrever-lhes que se abstenham
das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue.”
Se tratando de nossos dias é necessário que cada missionário
tenha a responsabilidade de ser enviado de forma correta e se prepare para o
serviço transcultural. Alguém que chega a outro país sem as documentações
adequadas, de forma clandestina ou sem o envio formal de uma igreja pode correr
o risco de escandalizar o evangelho ao invés de trazer as boas novas.
Quando lembramos do exemplo de Paulo percebemos que ele
abandona toda sua tradição cultural para trabalhar em favor do evangelho. Em
(Fl. 3, 5-8) ele declara que considera o evangelho mais importante que sua
identidade cultural. Vemos o apóstolo usando todos os meios lícitos para
proclamar o reino de Deus no meio dos pecadores.
O desafio da obra missionária Atual
Neste momento nos voltaremos para o destaque dos desafios
para a realização da obra missionária.
Em primeiro lugar é necessário que haja pessoas dispostas a
cumprir o ide. (Jo 9,4)“Importa que façamos as obras daquele que me enviou,
enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar.”
É importante que tenhamos pessoas que amem esse trabalho e o
façam com dedicação, pois a evangelização é uma obra urgente. A pergunta que
precisamos fazer é a seguinte: Estamos obedecendo a ordem de Jesus em pregar o
evangelho?
Outro ponto que destacamos é a necessidade de intercessores
para a realização da missão. Em Lucas 10,2 lemos “E dizia-lhes: Na verdade, a
seara é grande, mas os trabalhadores são poucos; rogai, pois, ao Senhor da
seara que mande trabalhadores para a sua seara.”
E ainda é necessário que existam pessoas dispostas a
investir financeiramente na missão.“E vendiam suas propriedades e bens e os
repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um” (At 2,45).
Também hajam missionários preparados e igrejas que se
dediquem no envio dos mesmos. Os missionários tem um nome a zelar e precisam
estar bem preparados como já havíamos falados, pois a ação evangelística
precisa alcançar pessoas e não afastadas do reino de Deus.
É importante que o missionário esteja preparado quando vier
a perseguição.
“Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz.
No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (João
16,33)
Tenhamos atenção nos desafios mencionados por Jesus no texto
acima. Estes desafios podem surgir no campo missionário e essa é uma arma que
satanás usa para que o servo seja intimidado e deixe de proclamar o evangelho.
Jesus fala que somos perseguidos porque não somos deste mundo (Jo 15,18).
Podemos ver muitos dos apóstolos sofrendo perseguição e alguns deles até sendo
mortos por causa do evangelho. Contudo para que haja perseverança é preciso
atender ao chamado, se firmar na Palavra de Deus, obedecer, amar as vidas e ter
coragem. Um missionário que tem as qualificações necessárias como ser ter bom
testemunho, conhecimento bíblico, ser irrepreensível e vive o que prega não
deve temer as perseguições.
Evangelismo Pessoal no Brasil.
Gostaríamos aqui de
falar rapidamente sobre o evangelismo pessoal. O ganhador de almas precisa se
dedicar em aprender a melhor forma de evangelismo, sendo assim ressaltaremos
alguns pontos importantes.
Em primeiro lugar é necessário ser insistente com amor,
entregar um folheto e sair pode não ser a maneira mais eficaz.
Orar para que Deus nos direcione para quem devemos falar.
Decidir a forma de falar, se publicamente, particular,
exortando ou com cortesia.
Falar sem pressa de maneira que a pessoa possa compreender
bem a mensagem que esta sendo passada.
Mostrar nas escrituras que o homem é pecador e que em Cristo
há perdão. A certeza da salvação deve ser incutida.
Falar com convicção e caso a pessoa aceite a mensagem ore
para ela entregar a vida para Jesus. Caso ela não entregue proceda de tal forma
que a porta permaneça aberta para outra ocasião.
A obra de evangelização no Brasil foi em muitos aspectos
formidável e muitos deram suas vidas para que brasileiros pudessem hoje ter sua
fé firmada em Cristo.
Se tratando dos pioneiros do evangelismo no Brasil
mostraremos de forma cronológica os protagonistas desta obra.
1855 Robert Kalley (Congregacional), 1859 A. G. Simonton
(Presbiteriano), 1881 W. B. Bagby (Batista), 1876 J. S. Newman e John J. Ranson
(Metodista), 1911 Daneil Berg e Gunnan Vingre (Assembleia de Deus), 1946 Aroldo
Edwin (Quadriangular).
Muitos destes foram profundamente influenciados pelos
considerados pais das missões modernas como Willian Carey, Hudson Taylor,
Adoniran Judson, entre outros.
A Missão
O autor Ronaldo Lindório trata deste assunto trabalhando
três pontos importantes na missão da Igreja.
O primeiro é que a missão da igreja é proclamar o evangelho,
não buscar formas de impactar a sociedade e expandir sua mídia. A igreja
precisa perder sua glória para glorificar ao Senhor.
Em apocalipse 5 vemos a tríplice missão de Deus. Iniciando
com o trono que está relacionado ao seu Reino. “Ninguém é digno de abrir o
livro e desatar os seus selos”. Somente o Cordeiro. Ele tem a primazia.
Em seguida a missão de Cristo está em pagar o preço, quando
ele declara “está consumado” isso significa que a obra que Ele deveria cumprir
está relacionada com sua morte. Nisto baseia a nossa vitória, pois na cruz que
ele obteve sua vitória. Porque ele comprou com Seu sangue homens de toda tribo
língua e raça.
A partir do verso 7 vemos a glorificação do cordeiro,
“riqueza, sabedoria e força”. Nossa terceira missão é servir ao Cordeiro.
Servi-lo com tudo que temos de melhor. Jesus precisa ser conhecido em todos os
cantos e nisto consiste o nosso serviço.
Ainda em outro texto chamado a essência da missão Ronaldo
Lindório fala sobre o Pacto de Laussane. Este evento foi uma reunião realizada
em 1974 com a participação de líderes de 150 países com o objetivo de discutir
a missão. Neste evento foi sintetizada a missão da igreja dizendo que o
propósito de Deus é oferecer o evangelho a todo, por meio de toda a igreja, a
toda criatura, em todo mundo.
A mensagem missional é o evangelho, Jesus o poder de Deus. A
necessidade missional é o homem, impiedoso, perverso e perdido. A manifestação
missional é Deus convocando todo mundo a crer.
Dentro de uma perspectiva reformada da missão o Rev.
Gidálsio Reis faz uma relação entre missão e adoração compreendendo que a obra
missionária é a principal tarefa da igreja e uma igreja que não vive a missão
não é igreja. Ele menciona o Salmo 67 e a experiência de Isaias (Is, 6) como
sendo a experiência de adoração levando a missão. Ele menciona que o culto deve
motivar a obra missionária. Finalizando o autor diz, baseado no catecismo de
Westminster, que a principal função da igreja é viver para glória de Deus e
quando isso acontece a missão se torna algo natural.
O Pr. Osvaldo Prado fala sobre o descompasso de igreja e
missão. Ele lembra que a igreja perdeu o fervor missionário e atualmente busca
sua alto promoção. Ele questiona se esse grande crescimento da igreja hoje tem
gerado missões para fora dos arraiais de Jerusalém. Lembra que existem
missionários brasileiros em outras culturas e qual tem sido nosso olhar em
relação a eles.
Na realidade, segundo Prado, quando olhamos para a mídia
evangélica vemos que temos gerado uma contra missão. Afirma que a igreja tem se
mostrado infantil. Ele nos desafia e questionar porque nos mantemos nessas
cadeias? São promessas, trocas, pensamento positivo, água benzida, milho
ungido, um marido rápido, nesse jogo vale tudo. Há um verdadeiro descompasso
com a missão dada por Jesus a igreja.
Modismo
Lembrando-se do processo de plantio de igrejas que aconteceu
no Brasil motivado pelos movimentos missionários do século 19 vemos que nossa
nação anda em outro sentido. A semente plantada com tanto trabalho nesta terra
deveria nos dar motivos de sobra para viver para a glória de Deus.
Existe pouca relação de missões hoje com algo que aconteceu
a tempos atrás. Um dos motivos está relacionado com os modismos que surgem, que
vêm e vão e que agrada a muitos. É preciso perguntar se nossa adoração está nos
levando para diante do trono e também para diante dos perdidos? Se nossas reuniões de igreja tem pensado nos
que estão lá fora ou somente cuidando de questões administrativas visando a
promoção denominacional.
Nestes casos é importante refletir, orar e nos voltar para
os perdidos pelo qual o senhor Jesus deu sua vida.
Finalizando este texto destacamos outra mensagem de Ronaldo
Lindório que nos leva a refletir sobre a missão da igreja em semear a palavra
de Deus. Ele faz uma relação entre a parábola do semeador com o Salmo 126.
Ele lembra que em nossa missão é preciso ir andando e
chorando para trazer os seus feixes. Muitas vezes esse choro vem com a saudade
dos que ficam, com a enfermidade que vem, com o fruto que não chega, com o
caminho que é longo demais e com o coração que, muitas vezes, amanhece
apertado. Estamos sempre andando, sendo enviados em caminhos incertos e
constantemente orando para dar mais um passo. Realmente o missionário tem um
longo caminho a trilhar.
Temos andado e chorado, não sabemos se é hoje, ou se será em
breve, ou demorará, mas é certo que um dia traremos nossos feixes para
apresentar diante do cordeiro.
Contudo não podemos perder a alegria de caminhar, a fé, a
perseverança na oração e o abraço daqueles que estão ao nosso lado, sofrendo e
se alegrando com a obra de Deus.
Andar e chorar é cumprir a missão.
Bibliografia
Triplice Missão Ronaldo Lindório http://www.ronaldo.lidorio.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=31&Itemid=2
Modismo e missões Ronaldo Lidório
http://www.ronaldo.lidorio.com.br/index.php?option=com_content&task=category§ionid=3&id=7&Itemid=26
Bíblia Sagrada JFA RA

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