O preparo do coração tem uma
importância muito maior do que o preparo do sermão (John Stott)
Hoje se fala muito de missões
transculturais, ou seja, sair de sua cultura ou país e ir para outra nação para
pregar o evangelho. Apesar dos meios de comunicação como internet, televisão e
radio ajudarem no trabalho de transmissão do evangelho para muitas nações, sabemos
que existem muitos lugares que não possuem tais recursos.
A melhor forma ainda hoje de alcançar alguns povos é através do envio de pessoas. Nesse assunto é necessário fazer uma pergunta. Será que temos preparado bem os nossos missionários para lidar com esse desafio. Falamos de choque cultural, estudo de idiomas, aspectos antropológicos e sociais, mas muitas vezes acredito que precisamos vivenciar a experiência no local. Parece que quando chegamos a outra cultura nos tornamos como criança, precisamos voltar do zero e aprender com o povo para que possamos mais tarde alcança-los. Contudo muitas vezes na pressa de apresentar resultados iniciamos um trabalho precipitado que pode causar resistência no povo a ser alcançado. É importante sim falar de aspectos antropológicos e culturais, mas é necessário dar uma atenção especial as particularidades de cada cultura.
A melhor forma ainda hoje de alcançar alguns povos é através do envio de pessoas. Nesse assunto é necessário fazer uma pergunta. Será que temos preparado bem os nossos missionários para lidar com esse desafio. Falamos de choque cultural, estudo de idiomas, aspectos antropológicos e sociais, mas muitas vezes acredito que precisamos vivenciar a experiência no local. Parece que quando chegamos a outra cultura nos tornamos como criança, precisamos voltar do zero e aprender com o povo para que possamos mais tarde alcança-los. Contudo muitas vezes na pressa de apresentar resultados iniciamos um trabalho precipitado que pode causar resistência no povo a ser alcançado. É importante sim falar de aspectos antropológicos e culturais, mas é necessário dar uma atenção especial as particularidades de cada cultura.
O que é a antropologia? Respondendo de
forma bem simplificada. Digo que é o estudo do ser humano. Estudo de seus
comportamentos e suas produções. Existem dois tipos de foco no estudo
antropológico. A Antropologia física e a cultural. Na física como o próprio
nome já diz refere-se aos aspectos relacionados a genética, medidas e
descrições de características física dos povos. Entretanto, atualmente é de
grande importância o estudante se ocupar com a investigação da antropologia
cultural. Nesta estudamos o folclore, a organização social, costumes, padrão de
vida, comportamento; além de comida, organização familiar, crenças, línguas e
valores. Também são interrogados porque determinado individuo de uma sociedade
age do jeito que age? Quais são as normas que definem o comportamento de um
grupo e quais os valores que mantém estes aspectos ainda vivos impedindo que
sejam substituídos por outros. Como vemos não basta analisar o tipo de comida
ou vestimenta de um grupo, mas é importante se perguntar por que comem isso ou
por que se vestem assim? Certa roupa pode falar de classe social ou moda,
determinadas comidas podem apontar escassez ou falta de dinheiro. Em nosso
país, por exemplo, o que
significa usar um anel de brilhante?[1]
O que nos fala um homem de terno e carro zero? Essas perguntas devem ser
respondidas e colocadas em nossas matérias de estudo.
Ainda podemos nos perguntar, o que é
cultura? Para muitas pessoas cultura é o grau de conhecimento que uma pessoa
possui. Desta forma, quando se vê uma pessoa simples e rude alguns a definem como
alguém desprovido de cultura. Povos indígenas que vivem de com bastante
simplicidade recebem o mesmo adjetivo. Contudo, não é desta forma que a
antropologia define cultura. Vejamos essa explicação;
Definimos
cultura como o conjunto de comportamentos e ideias características de um povo,
que se transmite de uma geração a outra e que resulta da socialização e
verificadas no decorrer de sua histórias. Com os animais não acontece este
aprendizado porque eles se valem apenas de seu instinto natural. Os passaros
não precisam aprender a fazer o seu ninho mas o homem precisa aprender a fazer
a sua casa.[2]
Portanto a
cultura é a forma que um grupo determinado age dentro de sua sociedade. Essa
forma de agir é aprendida e passada para outras gerações.[3]
Existem
ainda outros tipos de culturas que podemos mencionar. Definimos cultura
civilizada e cultura primitiva. Esses termos não são usados de forma negativa,
mas para que se possa estudar e observar o grau de industrialização de um povo.
Por exemplo, na área urbana do Brasil podemos andar em ruas asfaltadas de
carro, metrô, comprar comida no mercado, aquecê no micro-ondas, nos casarmos
com toda formalidade e etc. Em uma cultura primitiva não existe estas
possibilidades, a vida se resume a caçar, pescar, cuidar de crianças e
participar de rituais e danças. Todavia, não podemos dizer que uma cultura que residente
nos interiores, iletrada ou primitiva que sejam inferior a nossa.[4]
Acredito na
existência de uma grande diversidade de culturas, que para muitos são
consideradas inferiores por não ter o nível de industrialização de uma área
urbana, mas que são riquíssimas em conhecimento. Tais conhecimentos são adquiridos
por indivíduos sem que eles passem por uma escola. Muitos deles vivem bem com
sua linguagem, expressões, vida familiar, sem preocupações materiais. Desta
forma, acabam vivendo muito melhor que um cidadão urbano em vários aspectos.
1.1.1
Animistas
Neste meio
podemos encontrar grupos animistas, que são sociedades que tem como ciência a
religiosidade. A forma de explicar os fenômenos naturais é atribuída a intervenções sobrenaturais.
O sol, terra, rios, cachoeira, animais, vegetais, chuva, vento e todas as atividades que estão relacionados com estes
elementos possuem uma intervenção transcendente em suas manifestações.
Dentro
destas sociedades é comum encontrar grupos que praticam a magia. São sociedades
que valorizam e respeitam demasiadamente estas praticas. O missionário que atua
nestes grupos deve ter conhecimento dos conceitos particulares que cercas seus costumes.
É comum em meio a essas sociedade atribuir suas curas, propriedades e
contribuição favorável da natureza a algum tipo de ritual que chamam de magia
branca. Vejamos a citação abaixo;
Como
magia branca simples e doméstica podemos exemplificar os Quéchuas que organizam
ossos de lhama atrás das portas de suas casas, em ordem e tamanho específicos, a
fim de proporcionar abundância naquele lar. Há necessidade de conhecimento
específico dos elementos e sua manipulação; conhecimento este passado dos
velhos para os novos. Neste caso é uma magia aberta, comunitária, visto que
todos podem observá-la, aprendê-la e praticá-la.[5]
Outra
categoria conhecida também de magia nestas sociedades é a magia negra.
Negra, temida por trazer destruição e morte. Pode ser praticada
pelo homem mágico ou feiticeiro, ou pela categoria rara de bruxo. Normalmente a
magia negra é mais especializada e restritiva, sendo que apenas alguns podem
aprendê-la ou realizá-la. Em alguns casos pode ser herdada. É aprendida a
partir de uma iniciativa pontual, iniciando-se o jovem à arte de tal magia pelo
velho, que já a pratica. O bruxo, antropologicamente, usaremos aqui para
designar a figura reclusa de um homem, ou mulher, que se aperfeiçoa na arte de
dominar, matar ou destruir a partir de atos mágicos ou invocatórios, portanto
não se resume apenas à prática mágica. É recorrente a crença de que há uma
ligação entre a prática de magia negra e o desenvolvimento de problemas físicos
naqueles que a praticam.[6]
É de fato fundamental ter ciencia destes conceitos a
fim de elaborar um planejamento para atuação em campos animistas. Ainda existem
outras categrorias de magia;
Imitativa, referente a amor e
ódio e um exemplo clássico é o wodu que imita o objeto alvo sendo porém bem
mais extensa do que percebemos na forma como se tornou mais conhecida. No Haiti
a magia imitativa é popularizada através de bonecos feitos e manipulados, com
forma das pessoas que desejam atingir. No caso do vodu seria necessário que
houvesse algum elemento pertencente a esta pessoa, em um ambiente propício para
o ato mágico. E se crê que, havendo semelhança suficiente entre o boneco e a
pessoa, dentro de uma manipulação preconcebida e aprendida, os atos realizados
com o boneco (manipulação) se refletirão na pessoa que o boneco representa. Uma
das suas variáveis seria a imitação de roças, casas, ambientes naturais
etc.
Simpatica, que trata da fertilidade, proteção e paixão. De forma geral
pressupõe-se que toda magia é simpática, porém utilizamos aqui o termo para
designar as iniciativas mágicas usadas para procriação, proteçào e paixão, como
a branca e imitativa mas com a característica de serem atos abertos e não
velados, disponível para compra ou prática, de forma simples e comunitária.
Está associada a tabus e talismãs e se propõe a controlar o acaso e não
produzir um fim específico
Alegórica, produtoras de ganhos e perdas, com elementos específicos que em
determinadas situações podem produzir ganhos e, em sua ausência,
prejuízos, como a água benta vendida em algumas igrejas. Assemelha-se à
imitativa e a mais forte diferença seria a crença.[7]
Dentro destas culturas a comunicação integral do
evangelho se torna desafiadora. É importante lembrar que o evangelho não é uma
mensagem importada ou negociavel, mas é a comunicação de Deus para a salvação e
também tranformação das culturas. O evangelho é integralemte aplicavel as
culturas sem que haja necessidade de relações sincreticas.
Dentro dos contexto que afimamos acima é
importantissimo que missionário esteja preparado para a atuação sábia em meio
as sociedades. Neste ponto é relevante salientar que que o ser humano é o foco
da salvação de Deus e não podemos enchergá-los como nossos oponentes.
[...] pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas
sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo
destas trevas, contra as hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes.
(Efésios 6.12) [8]
Após traçar
pontos que entendemos ser básicos para o conhecimento do missionário é preciso
destacar que receitas prontas para atuação dentro de culturas diferenciadas não
se aplicam em muitos casos. Certamente que o aprendizado adquirido em escolas
de missões com missionários mais experientes é muito proveitoso. Mas sabemos
que os tempos mudam, o espaço geográfico muda, a política muda e até mesmo o
contexto religioso pode mudar.
Sou do
sudeste brasileiro e meu primeiro desafio missionário foi dentro do próprio
sudeste em um estado vizinho. Posso dizer que em muitos aspectos tive choque com
a cultura deste estado, mesmo sendo bem próximo. Os costumes eram realmente bem
diferentes, foi uma experiência muito desafiadora e um grande aprendizado. Após
alguns anos sai do sudeste brasileiro e fui enviado para o nordeste. Mesmo
dentro de minha nação e tendo certeza que estaria confortável ali, percebi que
estava em outro mundo. Não entendia o que era falado, e tinha dificuldade de me
fazer entender, principalmente quando a relação era no interior, zona da mata,
agreste e etc. Percebi que precisava me tornar um aprendiz. Com frequência me
irritava com a falta de pontualidade, com desorganização da cidade, com o povo
de sangue quente. Costumo dizer que este foi o legado deixado por Lampião.
Todavia pude ver um povo que mesmo diante de tanta dificuldade e escassez não
desanimava. Quantas vezes vi pessoas empurrando carrinhos de caldo de cana em
meio ao trânsito durante horas para vender na praia. O caldo de cana é apenas
um exemplo poderia falar a mesma coisa da água de coco, do amendoim, das frutas
e tantas outras atividades. Um povo que não tem vergonha de trabalhar, que não
teme a simplicidade e que é muito acolhedor. Neste momento trabalhando com a
missão rural e urbana, com viagens de curta duração para estados vizinhos
dentro do próprio Nordeste brasileiro, percebo que o tempo de adaptação, o processo
de compreensão da cultura e o respeito com o povo é uma tarefa que demanda
tempo. Da mesma forma que tenho uma pequena experiência em culturas diferentes
acabo também recebendo muitos grupos de missionários de toda a parte do mundo
em nossa comunidade. Vejo muita maturidade em alguns grupos, todavia em outros
vejo um completo despreparo, poderia chama-los de turistas evangélicos. Recebo
pessoas que nos ajudam muito, trabalham suado na obra e outros que gostam das
estatísticas, de voltar para sua terra dizendo que plantou tantas igrejas e que
ganhou outras tantas almas. São recebidos em suas comunidades locais como
verdadeiros heróis, entretanto nós que permanecemos sabemos que estes
relatórios não são precisos. Impactos de uma semana ou até mesmo um mês podem ser muito
frutíferos quando existe um preparo adequado para tal função e consolidação
imediata para os convertidos.
1.1.2
Nômades
Falamos um
pouco de culturas primitivas mencionando algumas praticas tribais. Neste
momento gostaria de focar um pouco em falar de uma parte de grupos nômades.
Para atuar em meios a essas culturas precisamos primeiro vencer alguns
obstáculos. Vejamos a citação abaixo:
Jesus está entre
os nômades antes de nós, esperando por nossas vidas e nossas vozes para
manifestar sua presença. As pesquisas mostram que a maioria das pessoas que se
tornaram cristãs o fez porque elas conheciam outro cristão. Os nômades precisam
de nós para viver como cristãos nômades, no mesmo nível deles, tanto quanto
possível. O grande pastor procura por discípulos comprometidos em ajudar os
nômades do mundo, aprender o idioma, as habilidades deles e, através de uma
experiência de vidas compartilhadas, fazê-lo conhecido. Seu amor precisa ser
demonstrado na prática para melhorar o nomadismo do povo — na educação, saúde
comunitária, ajuda médica e veterinária e manejo de pasto. Precisamos
compreender as práticas religiosas dos nômades, seus temores não esclarecidos e
apresentar-lhes o Deus pastor nômade da Bíblia. Nós precisamos demonstrar pelo
exemplo que o grande Pastor se sente realmente à vontade nas tendas nômades.[9]
É certo que
cada cultura tem suas particularidades e que o missionário deve compreender
isso para a atuação eficaz em tais movimentos. Entender o mecanismo de vida
deles é importante para aprender e ensina-los a viver como cristãos nômades.
Sociedades
ciganas nos motivam de forma muito efetiva. Eles possuem costumes muito
preciosos para eles, não permitem que grupos de fora se aproximem e em sua
maioria só se casam entre eles. Tudo isso para manter suas tradições que são
passadas de geração em geração.
O termo
"nômade" foi originalmente utilizado tempos atrás somente com os
beduínos. Eles conduziam animais
progressivamente para pastos diferentes.
Atualmente “nômade” é um termo usado para se referir a todas as
sociedades em que a cultura e estilo de vida estão baseados na necessidade de
viajar constantemente para encontrar uma forma de sobrevivência.
No meio dos
nômades existem três grupos, os caçadores, os pastoralistas e os itinerantes.
“Os
aborígines da Austrália e os bushmen e pigmeus na África são exemplos de
caçadores-coletores. Os nômades de barco, como os bajau do sudeste da
Ásia e os pescadores boso do rio Níger,”[10] Também
são.
Os outros
dois grupos são bem semelhantes trabalhando para o seu sustento e em alguns
momentos estabelecendo relações comerciais com grupos não nômades. Vejamos o
que fala o autor David
Phillips sobre os pastoralistas;
A subsistência e
a cultura dos pastoralistas nômades são baseadas na criação e busca de pastagem
para seus animais domésticos. Os beduínos do Oriente Médio e África do Norte,
os sami da Escandinávia e os Fulbe da África Ocidental são
exemplos de pastoralistas. Os pastoralistas não estão tão diretamente
envolvidos com a sociedade como um todo porque os sistemas pastorais podem ser
auto-suficientes e seu pasto, muitas vezes, fica distante dos centros
populacionais. Por dependerem primariamente dos ecossistemas naturais e só
precisar parcialmente de recursos humanos, eles desenvolvem bastante autonomia
como sociedades mais fechadas. [11]
E ainda
sobre os itinerantes.
Os itinerantes
são os artesãos ambulantes, artistas e comerciantes — como os gadulyia
lohars da Índia e os ciganos da Europa. Muitos outros nomes foram sugeridos
para este grupo diverso, inclusive “nômades comerciais", “viajantes” e até
povos "do tipo cigano". Mas itinerantes dá a idéia de movimento para
alcançar mercados mais amplos para ocupações que, de outra forma, seriam
praticadas a nível local.[12]
O que
realmente esses grupos têm de semelhante é a sua vida em movimento. E para
trabalhar no seu meio é importante compreender não somente seus costumes e
forma de viver, mas também a visão que eles possuem dos povos circunvizinhos e como
entendem a modernização. Muitos deles olham para a sociedade externa
considerando os mesmos como sedentários, sendo assim, precisam manter distancia
para que não haja influencia em seu modo de viver. Neste ponto também entra a visão
deles a respeito dos cristãos. Infelizmente eles olham para cristãos como
pessoas apegadas a construções e a uma vida sedentária. Esse testemunho tem
sido reforçado por parte de missionários que entram em suas culturas, muitas
vezes bem intencionados, mas acabam tentando estabelecer formas de fixação de
seus trabalhos e normalmente com estruturas e técnicas de cultivo de lavoura e
animais. Na visão de muitos não nômades essa vida de permanente mudança e muito
desagradável, contudo é necessário remover esses óculos e olhar pelo prisma
deles.
O trabalho
missionário dentro destes grupos precisa fazer com que eles compreendam que seu
estilo de vida não os distancia da graça de Deus. Partilhar inclusive que seu
estilo de vida é compatível coma vida cristã. Mostrar que Deus está
interessado neles e os ama.
Mostrar na própria Bíblia o trabalho de Jesus e dos apóstolos que não possuíam
morada fixa e estavam em constante movimento. Mostrar a metáfora do peregrino
que se encaixa bem em sua forma de viver, e ainda a visão pastoral que a bíblia
aplica didaticamente para transmitir sua mensagem. Os nômades são milhares no
mundo todo e se tornam mais um grande desafio para o trabalho desenvolvido
pelos missionários.
1.1.3
Nossa Janela
10x40
O Missionário e escritos Ronaldo Lídório destaca que em
nosso país existem grupos de
povos não alcançados. Costumo dizer que é a nossa janela 10x40. Segue em ordem
estes grupos.
1. Indígenas: 121 tribos sem acesso direto ao
evangelho;
2.Ribeirinhos: 10.000 comunidades sem igrejas;
3.Quilombolas: 2.000 comunidades sem igrejas;
4.Ciganos: 700.000 pessoas sem o evangelho
e apenas 14 missionários;
5.Sertanejos: 2.000 assentamentos sem acesso
direto ao evangelho;
6.Imigrantes: mais de 100 países representados
no Brasil, dos quais 27 deles são fechados ao evangelho;
7.Os mais ricos dos ricos e os
mais pobres dos pobres: São aqueles que moram em
condomínios de luxo e aqueles que moram debaixo da ponte ou nas ruas das
grandes cidades.[13]
Interessante o quanto podemos fazer mesmo sem sair de
nosso país. Na realidade existem algumas ações para que estes grupos sejam
alcançados, todavia não são muitos.
Quando
falamos de imigrantes podemos nos fazer uma pergunta: O que temos feito para
alcançar esses povos? Recordo-me quando morava em Teresópolis quantas vezes
saia de casa para ir comer na pastelaria do Chinês, muitas vezes estive ali sem
se quer tentar me comunicar com eles. Sabemos que a China é um país muito
fechado ao evangelho e que esses imigrantes costumam retornar periodicamente
para sua nação. Imagino o impacto que um chinês convertido poderia fazer em sua
pátria. Muitas outras vezes ia a loja daqueles que chamávamos de turcos, que na
realidade eram libaneses, sem nunca ter dito a eles que Jesus os amava. Quando
morei em São Paulo diversas vezes fui com minha esposa na conhecida Rua 25 de
março e no Braz. Aquele lugar é um lugar de missão transcultural. Eram dezenas
de chineses, bolivianos, peruanos, árabes, chilenos e muitos japoneses. É um
campo muito vasto para a pregação do evangelho.
Quando morei
em Recife pude perceber esse campo se expandindo. No nordeste brasileiro temos
comunidades ribeirinhas, sertanejos, indígenas, quilombolas, ciganos e
certamente pessoas muito pobres e outras muito ricas. Este local é um campo
realmente muito fértil. Bem perto de minha casa existe uma comunidade
quilombola onde temos fácil acesso para o evangelismo. Nossa igreja se reúne em
um bairro bem úmido na cidade de Jaboatão dos Guararapes, uma comunidade muito
carente, mas fervorosa na pregação do evangelho. Para chegar até o local é
necessário passar por muitas ruas alagadas e cheias de barro. Todavia, vemos
pessoas de muitos lugares se converter toda semana. Com frequência saímos
promovendo ações evangelísticas nas proximidades. Como se trata de uma
comunidade pobre o trabalho de missão urbana com arte e dança tem dado muitos
resultados positivos. Pregamos nas praças e nas ruas e promovemos encontros em
lugares onde pessoas se drogam e se prostituem. É um trabalho desafiador, mas
muito gratificante. Minha meta para os próximos anos é alcançar o sertão,
indígenas e quilombolas das redondezas.
Se tratando
da pregação do evangelho para os ricos podemos utilizar os recursos da internet,
radio e TV para esse fim, todavia sabemos que muito do que tem na midia
atualmente é uma verdadeira distorção do evangelho. Missionários da mídia que
prometem coisas que não podemos afirmar que Deus prometeu em Sua Palavra. Deus
é poderoso para fazer o que Ele quiser, mas pode não fazer também se não
quiser. Neste momento lembramos-nos da resposta que ele deu a Paulo em (2 Coríntios 12:7-9)
Para que não me exaltasse pela
excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um
mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.
Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
Certamente que Deus não esta preocupado somente
com a salvações dos pobres como alguns teólogos da libertação afirmam
erroneamente, todavia existe outro extremo da teologia da prosperidade que tem
afirmado o contrario. Ambos se atrapalham em suas concepções. Eu prefiro ficar
com a palavra de Deus em Mateus 18,14 que diz “Assim,
também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos
se perca.” Em resumo Deus precisa sim de pessoas preparadas para evangelizar
aqueles que não estão acessíveis a nós, que moram em condomínios de luxo, saem
em seus carros e frequentam lugares que dificilmente poderíamos entrar. Deus
precisa de missionários e estratégias para alcançar este povo que é muito
carente de ouvir a Palavra que transforma.
Atuar em culturas diferentes realmente é um grande desafio e exige muito
empenho, tenho o costume de dizer que nossa primeira missão transcultural começa
no casamento, pois duas pessoas que receberam ensinamentos bem diferenciados em
suas famílias de origem se juntam para partilhar a vida. Da mesma forma que nos
empenhamos em nossas famílias para compreender as diferenças, para amar, para
respeitar, pastorear e conviver também devemos olhar para o diferente com o
amor de Deus. Quer seja muçulmano, budista ou comunista precisamos do auxílio
do Espírito Santo para atuar com sabedoria e amor neste campo. Que Ele possa
nos preparar para essa missão possível.
[1]BURNS,
Barbara, AZEVEDO, Décio, CARMINATI, Paulo, Costumes
e Cultura, Uma introdução à antropologia Missionária, São Paulo: Vida Nova, 1996. p. 18.
[3] CARSON,
D.A, Cristo&Cultura, uma
releitura, Trad. Marcio Loureiro Redondo, São Paulo: Vida Nova, 2012. p.13.
[4] BURNS,
Barbara, AZEVEDO, Décio, CARMINATI, Paulo, 1996. p. 21.
[5]LINDÓRIO,
Ronaldo, Prática de magia em Sociedades
animistas, Disponível em http://instituto.antropos.com.br/v3/index.php?option=com_content&view=article&id=530&catid=37&Itemid=6
acessado em 22/05/2014
[9]
PHILLIPS, David, J, Povos em Movimentos, Introduzindo
os nômades no mundo. Ebook, disponível em http://www.instituto.antropos.com.br/downloads/ebooks_html/povosemmovimento/
acessado em 13/062014. P 12
http://www.apmt.org.br/index.php/artigos14/1929-vendo-as-pessoas-por-tras-dos-numeros
acessado em 14/06/2014

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