Por Fernando Corrêa
A
teologia do Novo Testamento não pode deixar de dialogar com outras disciplinas
como a exegese, hermenêutica, história do novo testamento e crítica. Esta será
a base para a teologia histórica e dogmática.
A Hermenêutica fornecerá os métodos
e os princípios para a interpretação do texto, ela deve identificar o sentido
original da obra, perceber o que o autor quis dizer, como aplicou e o que o
texto tem a nos orientar nos dias de hoje.
A
exegese trata da análise aprofundada do texto utilizando os vários métodos
críticos.
O
novo testamento também se apresenta como um livro histórico, e como Palavra de
Deus não poderia ser diferente, desta forma é necessário haver um diálogo com a
história do Novo Testamento.
Se
tratando da crítica, observamos que se trata de uma tarefa delicada, pois
trabalha com possibilidades e especulações. O próprio Novo Testamento inclui a
crítica, entretanto a crítica textual nos ajuda a entender dados importantes
concernentes a datas, composições, lugares das composições, propósitos, autores
e etc.
A
Teologia Dogmática busca dar uma declaração coerente sobre a doutrina da fé
cristã. Ela se baseia nas Escrituras Sagradas, localizada no contexto cultural
geral, se expressa no idioma contemporâneo e se relaciona aos assuntos da vida.
A
Teologia Histórica entra neste grupo e se apresenta como a responsável pelo
estudo da teologia dogmática em vários momentos da história.
Em
resumo, a Teologia Bíblica busca sistematizar a revelação divina dos textos
bíblicos. Essa sistematização necessita da abordagem histórica, exegética,
hermenêutica e dogmática. Sua tarefa é distinguir entre o conteúdo teológico e
sua forma de expressão para que seus receptores entendam e apliquem o texto e
seu conteúdo nos dias de hoje.
As
pressuposições da Teologia do Novo Testamento precisam ser mencionadas e não
são opcionais, pois não é possível haver exegese sem pressupostos.
Aqui
vão alguns exemplos de pré-suposições do Novo Testamento.
1- O Teólogo Bíblico decide como iniciar
a abordagem, quer seja fé ou objetividade.
2- Pode utilizar o meio temático que
enfatizará a unidade ou descritivo que enfatiza a diversidade.
3- Pode fixar uma meta
descritiva ou normativa.
4- Pode partir de
fatos ou confissões do Novo Testamento.
5- Precisa resolver as
tensões entre o Novo Testamento e Antigo Testamento, podendo enfatizar sua
diversidade ou continuidade.
Desta forma,
se faz importante abordar com cuidado tais pontos para o início do estudo desta
teologia, e é importante verificar as tensões destes pontos de partida.
As tensões dos meios de sistematização, tensão da meta da Teologia do Novo
testamento, da natureza do texto, e como já falamos anteriormente, tensões do
Antigo e Novo Testamento.
Muitas escolas no início da era
cristã tiveram acentuadas divergências acerca de tais tensões.
1.2 Teologia do Antigo
Testamento
Olhemos a Bíblia como um todo e seus
eventos desde os registros iniciais. Para isso vamos verificar os métodos da
teologia do AT (Antigo Testamento) e sua história, bem como, perceber a forma que
foi compreendida no decorrer do seu desenvolvimento.
Inicialmente podemos dizer que a
Teologia do Antigo Testamento é o estudo da revelação de Deus ao seu povo
eleito segundo os próprios escritos deste povo. Dentro do Canon cristão ele se
apresenta com 39 livros escritos em épocas diferentes e por autores diferentes.
Sua característica literária vai desde prosa até textos apocalípticos.
A teologia do Antigo Testamento deve se
preocupar em compreender a revelação progressiva de Deus. E ainda deve
descrever a teologia contida no Antigo Testamento mais do que aplicá-la,
atualizá-la e acomodá-la biblicamente.
Podemos definir que a Teologia do Antigo
Testamento se preocupa em primeiro lugar em definir os atributos de Deus, Sua
revelação, a aliança com seu povo eleito e a apreciação do estilo literário do
cânon judaico. Esta teologia se difere da introdução do AT, pois se ocupa com o
conteúdo sistemático e temático contido nos escritos desta época.
Veremos agora a definição de alguns
teólogos acerca deste assunto.
O Dr. Asa Routh Crabtree concorda que a
definição de Teologia do Antigo Testamento se refere ao estudo dos atributos de
Deus, e sua revelação progressiva em relação ao seu povo eleito. Já R. K.
Harrison afirma que as grades exposição das verdades divinas são o cerne da
Teologia do AT. Paul Francis Porta busca extrair a mensagem redentora nele
contido.
Mesmo que tenham singularidades na forma
de compreensão também podemos ver autores que divergem acerca dos métodos de
interpretação do Antigo Testamento.
O teólogo R. K. Harrison destaca é
preciso haver dentro da teologia do AT os seguintes passos:
O significado da palavra escrita para
considerando a época daqueles que a receberam.
Estar firmado na tradução fiel dos
textos originais.
Equilíbrio entre revelação e forma
escrita.
E por fim, não a limitar à tradição dos
hebreus, entendendo que seu objetivo é culminar nos escritos neotestamentários.
A disciplina Teologia do Antigo
Testamento exige muita dedicação para a sua compreensão e elaboração.
A História desta teologia é marcada pela
data de 1787 e o protagonista do seu desenvolvimento é Johann Philipp Glaber.
Este nome pode nos remeter ao racionalismo considerando sua linha de
interpretação e de seus desenvolvedores, que em sua maioria eram de
nacionalidade alemã. Trabalhavam a teologia retirando o sobrenatural de seu
contexto. Tais pensamentos foram fortemente influenciados pelo iluminismo, que
mais tarde se tornou assunto de estudo em muitos seminários.
Para entender a teologia do Antigo
testamento é importante observar alguns pressupostos:
A existência de um Deus pessoal e
universal. Esta defesa vai contra as idéias modernistas.
Ele pode ser conhecido, isso vai contra
o agnosticismo.
A verdade divina pode ser conhecida,
isso vai contra a neo-ortodoxia.
A revelação de Deus teve um propósito de
criar todas as coisas, isto vai contra o deismo.
A revelação se limita às Escrituras
Sagradas, isso vai contra o liberalismo, romanismo, misticismo e outras seitas.
As Escrituras se identificam totalmente
com a revelação de Deus.
Existem ainda três características muito
importantes que desejamos apontar:
O Caráter progressivo da revelação.
Deus falou de formas diferentes em
épocas diferentes. (Hb 1,1-2)
Atenção às profecias messiânicas.
A teologia do Antigo testamento teve várias
tendências em sua história. Podemos ver que na época da Igreja Primitiva havia
uma tendência mais alegórica de interpretação. Já na idade média a tendência
era voltada para os dogmas. Essa tendência foi questionada por volta de 1700 a
1750 entendendo a contribuição que o estudo histórico e bíblico trazia para a
teologia.
No Sec XIX nasce a teologia bíblica como
disciplina distinta da teologia. No século seguinte a ênfase estava em conhecer
a historicidade da época do AT.
A
teologia do Antigo testamento deve ter uma base histórica consistente dentro
dos acontecimentos que nos levam a compreender a salvação e o mundo natural.
A história precisa ser vista como um
meio de revelação divina, pois a história é o principal meio desta revelação.
Estamos acostumados a ver a Bíblia como Palavra de Deus, e está correto,
entretanto também podemos vê-la como os atos de Deus. Alguns autores não
concordariam com essa colocação como Eichroft (1933). Em (1958) temos Von Rad
refutando tal premissa, ele é apoiado por Kaiser.
Ainda
para a compreensão da Teologia do AT precisamos analisar seus métodos. Alguns
deles serão destacados aqui:
Tipo
de Religião Comparada. Esta compara a religião de Israel com seus países
vizinhos.
Tipo
estrutura ou Teologia Sistemática.
Tipo
diacrônico descreve a teologia em seus períodos sucessivamente. Seu expoente é
Von Red.
Tipo
lexicográfico que se apoia a etimologia das palavras do texto.
Tipo
temas bíblicos, que se difere da teologia sistemática, pois considera as
colocações interpretativas do texto, o número de vezes que uma ideia é repetida
e a recorrência de termos técnicos. A descrição de eventos e termos familiares
ao povo. Ainda analisa a revelação divina.
Contudo,
algo que é importante se atentar é o ponto de partida da pesquisa. Esse ponto
de partida consiste em apoiar-se no próprio texto das Escrituras.
Pensamos
em traçar um esboço da teologia do Antigo Testamento, iniciamos falando do
período que se chama: Promessa (Gn 1,11). Deus dá uma promessa a Abraão, o
cumprimento dessa promessa é como uma semente que precisa ser germinada. Após
este período, Deus se apresenta como o Deus dos patriarcas. De Isaque, de Jacó
e de Abrão.
Logo
após essa era vem a era do povo de Deus liderado por Moisés, daí Ele revela
suas leis e cerimônias que seu povo deveria aprender. A elaboração de um povo
escolhido por Deus vem através da observação do livro de Êxodo.
Em
seguida temos a era monárquica, tal era se tratava da conquista feita por Josué
até o estabelecimento do reinado em Israel. Após essa era vem a monarquia da
promessa que é estabelecida por meio do reinado de Davi. Essa história que
envolve o fracasso do reinado de Saul, a composição dos Salmos, até a posse do
rei Davi. Estes fatos antecedem o estabelecimento da monarquia em Israel.
Em
seguida temos o tempo da vida na promessa ou era sapiencial, seu protagonista
foi o rei Salomão que estabelece o templo, junta os sábios e organiza uma
política pacífica. Nesse período foi composto Provérbios, Eclesiastes e Cantares.
Temos
depois disso a divisão do reinado, Judá e Israel e a era dos profetas. Esses
profetas são responsáveis por comunicar a palavra de Deus ao povo e aos reis.
O
tempo do exílio na Babilônia foi marcado por profecias messiânicas falando de
um reino que não poderia ser destruído. No período pós-exílico temos a
finalização do Canon do AT e como protagonistas deste fato vemos Esdras,
Neemias, Ester, Zacarias, Ageu e outros. Estes trabalharam para reparar os
males feitos pelo período do exílio e para conduzir o povo de volta a sua
pátria.
Neste
momento, gostaria rapidamente de recordar alguns detalhes importantíssimos
concernentes ao assunto tratado.
Temos a palavra chave que podemos
destacar no AT que é Promessa. Temos a visão dada por Deus a Abraão. A proteção
de Deus dada a seu povo escolhido. Ainda a revelação do próprio Deus a seu
povo, a revelação da fé, da justiça, a posse de uma terra após a escravidão.
Todos estes temas são de profunda importância para a compreensão da teologia do
Antigo Testamento.
Entretanto, algo que marcou
profundamente o povo de Israel foi a revelação de Deus. O Senhor por intermédio
de Moises fez seu nome Santo ser conhecido e marcou a história deste povo a
ponto de eles em todas as épocas após este evento se lembrarem, festejarem e
cantarem os feitos de Deus.
Lembramos que o AT por se tratar de um
testamento, é necessário saber que pra isso, precisa-se de um testador, que
neste caso, é o próprio Deus. Esse Deus quer ser buscado e vem a procura do
homem. Este Deus cria o homem e a mulher e se revela a eles. Mostra seu nome
com o intuito de compreendermos mais sobre seus atributos, ou seja, de sua
qualidade pessoal.
O
herdeiro é o homem sendo eleito por Deus.
O
intuito deste testamento é também mostrar a graça regeneradora de Deus que vem
através da morte de Cristo e é revelada progressivamente nas páginas do AT até
o NT.
As
condições para recebermos essa graça é o arrependimento, receber o perdão de
Deus e crer em Seu Filho Jesus Cristo. De forma alguma a tarefa missionária
deve ser divorciada de um fundamento consistente na Teologia Bíblica.
1.3 Desenvolvimento da Teologia no Novo
Testamento
É de grande importância estudar os esforços de pessoas que ao longo da
história do cristianismo trabalharam em elaborar uma teologia do Novo
Testamento.
Iniciaremos com os pré-reformadores.
Tais estudiosos entendiam que o Novo Testamento continha a teologia do
Novo Testamento, este era um resumo para o entendimento do leitor contemporâneo
desta teologia, porém, a igreja Primitiva não possuía uma necessidade de
escrever uma teologia do Novo Testamento, pois estava vivendo este momento onde
se fazia necessário responder os questionamentos acerca do cristianismo da
época.
A igreja Medieval desenvolveu uma teoria de alegorização dos temas. Neste
desenvolvimento, surgiram quatro sentidos para a interpretação: o sentido
literal como superficial do texto; sentido alegórico e figurativo aplicando o
sentido literal a Cristo e sua Igreja e sentido escatológico tratando da
esperança dos últimos dias. Este grupo também utilizou a Bíblia para ensinar
artes liberais e religiosas.
A reforma foi importante para despertar o interesse pela Teologia Bíblica,
neste caso, temos muitas contribuições das reflexões Luteranas e do
Escolasticismo protestante e do Pietismo.
A maior contribuição de Lutero para a Teologia Bíblica está em trazer as
Escrituras para o centro da reflexão (Sola Scriptura) e a interpretação
literalista para a base. Lutero combateu as convicções de que as Escrituras e a
tradição da Igreja Romana eram reguladoras da fé.
Os reformadores Calvinistas também entraram por este víeis, contudo, este
grupo se atentou à atuação de Deus na história.
Os escolásticos também seguiram um
sentido paralelo acreditando que o homem era naturalmente bom, porém mais tarde
surgiu uma reação dentro da Igreja Alemã que ficou conhecida como Pietismo ou
desejo de piedade, e este grupo retornou para a Palavra de Deus buscando maior
fervor na vida cristã.
Mais tarde juntamente com a ideia iluminista e racionalista, que buscava
respostas racionais para tudo o que existia, que acreditavam na bondade e
inteligência humana, surgiu o Liberalismo Teológico.
Tal teologia foi profundamente influenciada por estes movimentos. Os
teólogos da época rejeitavam a autoridade Bíblica e questionavam a validade da
Teologia Bíblica, estes utilizavam os métodos histórico crítico para exegese,
que foi fortemente questionado por muitos teólogos.
Karl Barth afirma que tal método matou a alma e manteve o cadáver.[1] A
teologia dialética de Barth ajudou para que a teologia retornasse de certa
forma equilibrada.
Mais tarde, Bultmann apareceu com sua teologia existencialista, que foi
muito importante para o estudo do Novo Testamento no século XX.
A crítica das formas da história das religiões e o programa de
desmitologização reúnem diversas escolas. Este teólogo organizou este estudo do
Novo Testamento contribuindo grandemente para o questionamento e aprofundamento
da crítica.
1.4 Métodos
O método Histórico-discritivo, método pelo qual, tem seu principal
elaborador J. P. Gabler.
Este método
buscou descrever o que o texto significou e não o que ele significa hoje.
Muitos teólogos do Novo Testamento veem muitos benefícios no método histórico,
E. Jacob concorda com tal conceito, pois para ele a teologia deve levar em
conta os períodos históricos do desenvolvimento da mesma, o desenvolvimento da
literatura de Israel e a cultura da época.
Para E. Lohse A tarefa básica da teologia do
Novo Testamento é a descrição do desenvolvimento do kerigma de Cristo,
crucificado e ressuscitado, na proclamação neotestamentária, que dá a base e os
fundamentos para a Igreja.
J. Jeremias apresenta uma série de
livros sobre a teologia do Novo Testamento, ele trabalhou fortemente para a
compreensão do Jesus histórico.
Jeremias sintetiza o ensino de Jesus e
organiza o conteúdo desse ensino em temas como: missão, aurora do tempo de
salvação, o prazo da graça, o novo povo de Deus, Jesus e sua consciência,
majestade e a páscoa‖.
A. M. Hunter organizou sua teologia do
Novo Testamento descrevendo a história. Ele não procurou trabalhar a fundo os
elementos teológicos, mas apresentou um esboço de teologia do Novo Testamento,
suas fontes foram as tradições cristãs pré-paulinas nas epístolas e os
primeiros oito capítulos de Atos. Em seus escritos apresentou a teologia dos
intérpretes dos Fatos, Paulo, Pedro, o autor de Hebreus e João são base para
sua compreensão dos temas.
A crítica ao método descritivo consiste
em mostrar que o mesmo tende a criar diversas teologias no Novo Testamento.
Encontra seus desafios também no que diz respeito a considerar Jesus como um
pressuposto ou um ponto de partida.
O método confessional ou Kerigmático
basicamente consiste em conhecer e crer. O conhecimento atua na realidade que
vivemos e limita-se a este mundo, neste caso, a fé atua no sentido da
eternidade. Este conceito descreve a relação de Deus quando falando do Antigo
Testamento que chegou a ser fé gradativamente, segundo o autor.
Desta forma, falando de Antigo Testamento não
é possível afirmar que a Teologia é histórica, pois trata com o transcendental
e atemporal, entretanto o Antigo Testamento não é desarmônico em relação ao
Novo, e muitos autores trataram deste ponto.
Quando olhamos para o Novo Testamento,
percebemos uma maior centralidade no sentido de expor o sentido teológico do
mesmo. Este método abordado rejeita em parte a Teologia Dogmática e trata de
temas relacionados à vida.
O método confessional apresenta dois
problemas: O problema da imposição e o da diversidade, desta forma, o estudioso
busca encontrar o tema colocado e não busca no texto o tema.
O Novo Testamento também apresenta uma
grande diversidade de temas, contudo, o método confessional tende a forçar o
texto para sua confessionalidade.
Outros métodos conhecidos são: o método
misto, que é a mescla do confessional e o do descritivo, método diacrônico:
requer uma investigação histórica e a busca pelo sentido final do texto e o
método temático histórico que também busca mesclar o confessional e o
descritivo.
Existem ainda métodos alternativos, como
o método que vê a história da salvação no Novo Testamento e métodos
existencialistas os quais já mencionamos, todavia, esses métodos não têm
recebido atenção dos estudiosos eruditos.
É preciso compreender que o pensamento
Bíblico deve ser descrito e sistematizado de forma que torne acessível para a
compreensão de todos os grupos de estudiosos e para uma pregação inteligível.
A pressuposição da teologia do Novo
Testamento é um assunto de grande importância para a pesquisa.
Não podemos entender que a pressuposição
é algo que pode ser descartado, pois não é possível haver exegese sem
pressuposições, portanto, precisamos escolher pressuposições que estejam de
acordo com a natureza do Novo Testamento.
Vou destacar 5 áreas de pressuposições
que abordam o estudo do Novo Testamento:
1- O teólogo bíblico
pode partir de um ponto de vista objetivo ou subjetivo.
2- Podem-se utilizar
dois métodos, o método descritivo que enfatizará a diversidade, e o método
temático que enfatizará a unidade.
3- Podemos fixar uma
meta descritiva ou normativa para a teologia do Novo Testamento.
4- Os conteúdos da
teologia do Novo Testamento podem partir dos atos no Novo Testamento ou das
confissões dele.
5- Por último, o
teólogo do Novo Testamento deve resolver a tensão ente o Antigo Testamento e
entre o Novo Testamento. Ele pode enfatizar sua continuidade ou sua
diversidade.
Dando continuidade à questão da
pressuposição, podemos observar alguns pontos de tensão no início de seu
estudo.
O primeiro ponto de tensão consiste em
que a teologia pode ser produzida por um crente e um incrédulo. Não entrarei
nos pormenores desta discussão, todavia, gostaria de enfatizar que existem
divergências em suas visões.
O segundo ponto fala das tensões
relacionadas ao meio de sistematização que diz que é possível escolher diversos
métodos teológicos, ou seja, tensão da meta da teologia do Novo Testamento (o
que devemos buscar? Qual seria o objetivo?).
Outra tensão é a da discussão da natureza do
texto, neste caso, é preciso ver o contexto histórico, cultural e literal.
Todas estas tensões desafiam o exegeta a
pesquisar com cuidado os textos, contudo é muito importante definir bem a
metodologia.
A metodologia que utilizaremos consiste
no uso de um método misto.
O método escolhido deve ser capaz de
organizar a teologia do Novo Testamento, se o conteúdo for diverso é necessário
usar o método descritivo, se for unido deve usar o confessional. Exemplificando
podemos ver as diferenças do conteúdo da escrita do evangelho de João e da
carta do apóstolo Paulo aos Romanos, contudo, também podemos identificar nestes
textos uma profunda unidade centralizada na pessoa de Jesus, o Messias.
Podemos decidir em meio a vários métodos
mistos e alternativos. Existe uma predominância dos textos descritivos no Novo
Testamento quando se trata de teologia. A maioria dos autores procura escrever
história ou um conteúdo histórico.
Existe um tipo de organização
confessional que necessita de um centro onde a teologia vai girar em torno.
Contudo, é possível correr o risco de encontrar um centro que não condiz com a
Teologia do Novo Testamento. Para evitar este erro o centro deve ser encontrado
dentro da teologia do Novo testamento.
Para aplicar um método é preciso
distinguir as várias etapas da composição do Novo testamento. É importante que
esta atividade inicie com o ensino e prática de Jesus. Podemos chamar esse
processo de histórico-cronológico. Depois disso examinamos os escritos de Paulo
e os evangelhos sinóticos, logo após, Atos e as epistolas católicas, finalizamos
com os escritos de João.
A Teologia do Novo testamento deve ser centralizada, ora no rei Jesus, ora
no Reino de Deus. Esse é o grande desafio do exegeta que busca com seriedade a
compreensão da teologia do Novo Testamento.

0 comentários:
Postar um comentário